Postado por Leca Marriot em 3rd setembro 2015

Diário de San Francisco – como tudo começou

Hoje eu completo um mês vivendo em San Francisco, na Califórnia. E mesmo assim, ainda acho surreal acreditar que sou eu vivendo essa história.

San_Francisco_City_Hall

Por incrível que pareça, ainda não fui visitar a Golden Gate. Por isso, fiquem com essa belíssima pose de blogueira na frente do City Hall. 

A velocidade com que tudo aconteceu não me deu muito tempo pra pensar, nem pra ter medo. Vim com a cara e a coragem de quem já deixou passar muita coisa na vida e não se perdoaria se deixasse passar mais uma apenas por dar mais peso para todos os “e se” que só uma mente inquieta na madrugada é capaz de produzir.

Muita gente me perguntou o que eu vim fazer aqui, então eu resolvi aproveitar esse “aniversário” de um mês para contar a história inteira. De repente, tem alguém do outro lado da tela na mesma dúvida/incerteza e nessas horas, não há nada melhor do que o relato de alguém real pra nos dar um pouquinho de segurança na vida.

O estopim

Tudo começou quando meu marido (referenciado daqui pra frente como Mauri, apenas) entrou para uma startup. Essa startup tem um baita potencial de crescimento, e, portanto, ela foi selecionada para um programa de aceleração chamado 500 Startups.

Fazer parte desse programa é uma oportunidade incrível de ter seu o negócio avaliado por gente que trabalha em grandes empresas de tecnologia.

O objetivo é aparar todas as arestas do seu negócio para que, ao final do processo, você apresente sua startup redondinha para investidores em um evento chamado “demo day” e capte recursos para que a sua startup cresça e se torne uma empresa de sucesso.

500_startups

Fui lá conhecer, obviamente. 

O Mauri já sabia de tudo isso, já conhecia a 500 e sempre teve o sonho de ter o próprio negócio. Ele já emplacou vários projetos desde que eu o conheço e portanto, participar de algo desse tipo seria o próximo passo lógico na carreira dele. Passar três meses em San Francisco, aprender com quem sabe, fazer networking, treinar o inglês, turistar… A lista de prós era enorme.

Quando eu recebi essa notícia, tinha acabado de trocar de emprego. Saí de uma agência de marketing direto para trabalhar em uma agência de internet. Estava feliz da vida aprendendo muita coisa sobre social media, BI, performance, e outras coisas que eu nem imaginava que existiam.

Mauri e eu conversamos muito sobre a oportunidade, não só entre nós, mas com todos que podíamos e a resposta foi unânime: essa é uma oportunidade única, não deixem passar.

Fizemos as contas e mesmo com o dólar descontroladíssimo, dava para ir, por isso, começamos a jornada.

O tal do visto americano

Como nunca tínhamos viajado para os Estados Unidos, o primeiro passo era ir atrás do visto americano. Medo, tensão, desespero e lógico, uma grana preta nessa etapa.

Decidimos tirar no Rio de Janeiro, porque lá a fila de espera era infinitamente menor e de quebra, ainda poderíamos conhecer um pouco melhor a cidade maravilhosa. Contratamos uma empresa dessas que te ajudam em todo o processo, porque não podíamos correr o risco de não conseguir tirar o visto por algum vacilo, mas, se alguém me perguntasse se eu recomendo contratar pra quem está com o prazo tranquilo para viajar, eu diria: não. Todas as informações que você precisa estão muito claras nos canais oficiais, talvez seja bacana considerar contratar uma empresa desse tipo somente se a sua história for muito complicada. Se for a passeio, é bem tranquilo fazer por conta.

Levamos trocentos trilhões de documentos (que não nos foram pedidos na entrevista) e tínhamos o discurso afiado na ponta da língua. Descobri que ser casado é uma coisa que ajuda muito nessas horas, você pode fazer a entrevista junto com a pessoa e isso dá uma boa aliviada na pressão. 

thanks_Obama_madame_Tussauds

Thanks, Obama (preview do post sobre o Madame Tussauds).

Depois de recebermos a benção do Obama para entrar no país, comemoramos. Uma etapa a menos.

Largar o emprego, como faz?

Com o visto em mãos, era hora de dar adeus ao meu emprego. Não foi nada fácil abandonar algo que eu estava ajudando a construir. O que me animou foi ouvir da minha própria chefe que era a melhor decisão a ser tomada. Juntas, planejamos o meu desligamento da forma menos traumática possível e eu fui embora mais tranquila, sabendo que eu não estava deixando a empresa na mão. Sempre deixem as portas abertas, crianças. Especialmente em um mercado de trabalho minúsculo como o de Curitiba.

Malas prontas?

Como fazer uma mala para quatro meses??? Comecei pesquisando sobre o clima de San Francisco (calor, com vento sempre) e levei o que achava necessário.

Ao chegar aqui já percebi algumas cagadinhas nesse arrumar de malas que eu prefiro tratar como “aprendizados“, por exemplo: porque não trazer um tênis de corrida quando você tem TEMPO para se desafiar a começar a correr? Acontece. Acho que eu ainda estava com a cabeça em viagens mais curtas, em que não dá tempo de você se desafiar a ser essa pessoa com hábitos diferentes.

E eu também ouvi muito das pessoas que nem precisava levar mala porque era mais fácil comprar tudo aqui. Com essa alta do dólar a história não é beem assim, mas, confesso que mesmo multiplicando x4, ainda tem coisa valendo muito a pena comprar aqui, mas, a gente conversa sobre isso em um post futuro sobre compras.

Burocracias

Deixar apartamento, gato, contas a pagar, tudo organizado para uma ausência de quatro meses é um baita desafio. Tendo mais sorte do que juízo, contei com a ajuda da minha cunhada (♥) que ficou no Brasil cuidando de tudo e garantindo que nada passasse batido nesse período. Se não fosse por ela, acho que o planejamento teria sido completamente diferente: achar um lugar decente pro gato ficar, alinhar com a síndica pra ficar de olho no apartamento, enfim, nessas horas, não dá pra fazer muito milagre, a gente precisa jogar com as armas que tem.

Compramos dólares no Brasil, liberamos cartões para usar no exterior e compramos as passagens e o seguro de saúde (indispensável!) com uma agência de turismo. Eu poderia ter pego o seguro com o cartão de crédito, mas, deu um medinho de precisar de algo a mais e como já faz algum tempo que eu não faço exames de rotina (shame on me), achei melhor prevenir.

Ok, mas o que você vai realmente fazer aí?

Nesse meio tempo, as palavras da minha (ex-)chefe reverberavam na minha cabeça: a oportunidade é ótima, mas só vá pra lá se puder voltar melhor do que estava aqui.

Por isso, procurei algo que pudesse fazer para me diferenciar, voltar com uma estrelinha a mais no currículo, por exemplo. Dentre as várias opções, a que se encaixava no meu bolso e na minha carreira era o curso de Project Management da Intrax, uma instituição que eu até então não conhecia, mas descobri que era parceira de várias escolas de intercâmbio, como a CI, por exemplo. Me inscrevi, ganhei um desconto por conta da alta do dólar (thanks, Erica!), e o plano estava formatado, era só embarcar.

Longe, mas nem tanto

Antes de ir, passei um dia em São Paulo com a família. É sempre bom viajar com memórias fresquinhas de quem a gente ama.

O Mauri já tinha embarcado uma semana antes e eu estava mais tranquila, pois mesmo em outro continente, com uma diferença de fuso de quatro horas, percebi que conseguíamos nos falar diariamente. Um viva ao WhatsApp, FaceTime, Skype, Snapchat (ufa) e todas as maravilhas do mundo moderno.  ♥

Portas no automático…

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Fone de ouvido (extremamente necessário) e máscara pra aguentar o tranco da viagem.

Curti os voos internacionais com seus filmes, séries e jantares a bordo. Distrações necessárias para aguentar as 9 horas de viagem até Atlanta. Lá, tive que encarar a temida imigração.

passaporte_imigracao_eua

Quem vê o passaporte gasto assim, até pensa que viaja muito, né?

Mais angústia, desespero, aflição e medo de falar algo errado ali na hora, mesmo estando com a documentação certa e de fato, não estar entrando no país para fazer nada de errado.

Peguei um atendente rápido e em três perguntas eu estava liberada e bem-vinda, de fato, aos Estados Unidos. O hino do país começou a tocar na minha cabeça enquanto as lágrimas escorriam. Mentira, mas que deu um alívio, deu.

Mais quatro horinhas de viagem até San Francisco e pronto! A aventura poderia, enfim, começar. Logo de cara, já fiquei apaixonada pelo metrô que sai de dentro do aeroporto e te leva para o centro da cidade em questão de minutos.

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Aeroporto de San Francisco. 

Quando desemboquei no centro da Market Street, respirei fundo, me belisquei pra ter certeza de que aquilo estava mesmo acontecendo e quando percebi que sim, era verdade, agradeci de novo por estar vivendo tudo isso.

Ufa.

Já contei essa história pra diversas pessoas diferentes, e até já contei em inglês pra pessoas daqui, mas sempre me parece uma jornada e tanto quando eu olho pra trás.

E daqui pra frente, uma promessa: vou abrir um espacinho nos passeios pra voltar aqui uma vez por semana para contar um pouquinho de tudo o que já vivi e o que ainda espero viver pelos próximos meses. Até porque, o hábito de “blogar” é uma das coisas que eu espero recuperar aqui.

Pra quem quiser acompanhar mais da viagem, tô mostrando em trocentos canais: Twitter | FacebookInstagramSnapchat

Se tiverem perguntas específicas, mandem nos comentários ou escrevam para leca@lecamarriot.com. Tem tanta coisa pra falar daqui, que eu vou me sentir muito útil se puder tirar alguma dúvida específica. :)

Até a próxima!

Postado por Leca Marriot em 21st junho 2015

Divertida Mente: a vitória do lúdico e da simplicidade

Neste final de semana vi Divertida Mente (ou Inside Out, como preferir), depois de muita expectativa após ter visto e me apaixonado pelo trailer:

(Coloquei o dublado porque essa versão é a mais legal para mostrar todo o contexto do filme e não só um pedaço)

Só por ele já dá pra perceber que é um filme sobre o que a Pixar sabe fazer de melhor: ilustrar as relações humanas de forma lúdica e sensível. A gente já tinha visto isso em Toy Story, Procurando Nemo e tantos outros sucessos do estúdio, mas, Divertida Mente é como se fosse o precursor, ou ainda, a obra-prima do estúdio em relação aos sentimentos. Ele é tão primordial que é como se a Pixar nos falasse “ok, agora que experimentamos bastante, estamos realmente prontos para falar sobre os sentimentos básicos de cada ser humano”.

Saí do cinema com a fé renovada. Minhas teorias não eram tão loucas assim se um filme que cria personagens para cada uma das emoções dentro de nós bate recordes de bilheteria. Tem mais gente lá fora pensando assim também e não há nada de errado nisso.

Precisamos do lúdico para nos entendermos melhor. Percebi isso com o tempo, e com a ajuda das sessões de terapia, que quase sempre tratavam os temas mais complexos e obscuros de maneira leve, por meio de metáforas simples, que sempre me faziam sair de lá pensando.

Aquele alçapão que prende os medos mais escuros da Riley? Been there, done that. Minha terapeuta foi mais além e me disse que quando enfiamos coisas demais naquele armário, fica difícil viver, pois é como se você tivesse que segurar uma porta abarrotada de coisas enquanto tenta seguir fazendo as coisas do dia-a-dia. Não é possível se concentrar, não é possível fazer nada. É preciso arrumar a casa e falar sobre aquele monte de medos e inseguranças que você joga no quarto escuro, antes que eles dominem você.

E é tão mais fácil encarar as coisas desta forma pois todo mundo se prende a uma boa história, mas nem todo mundo quer ouvir falar de terapia.

Eu poderia facilmente contar a história de um par de rosas que resolvem crescer juntas, presas por um barbante. Uma dá apoio à outra, e juntas, elas crescem mais fortes, na mesma direção, diferente de um outro jardim, onde duas rosas crescendo sozinhas e desgovernadas também estão crescendo, mas, se distanciando cada vez mais uma da outra e tomando formas completamente diferentes. Poderia ser um curta sobre um jardim? Claro. Mas poderia ser também uma metáfora sobre o casamento. Eu ouvi essa história quando estava prestes a casar e surtando sobre os milhões de significados que isso poderia ter para a minha vida e realmente me ajudou a relembrar questões básicas e fundamentais sobre o relacionamento humano.

Divertida Mente é encantador e me fez lembrar muito de Steve Jobs por aquilo em que ele era melhor: fazer as pessoas enxergarem de maneira clara as questões fundamentais da vida. Ele fez isso com a forma de ouvir música e Divertida Mente fez com a forma com que se constrói (e destrói) uma personalidade, com as memórias que esquecemos (e aquelas que insistem em voltar o tempo todo), e com o fato de que às vezes precisamos da tristeza, pois ela é parte do nosso crescimento.

São tantas coisas possíveis de se identificar, que esse talvez seja o maior triunfo do filme. Você não precisa ser adulto ou criança para gostar dele, basta ter vivido (e ter algum poder de abstração) pra tudo aquilo fazer sentido pra você.

Moral da história: vou continuar compartilhando minhas teorias (agora não mais tão malucas) e falando sobre sentimentos aqui. Vai que um dia a Pixar me nota e me contrata para uma continuação, né? :)

Postado por Leca Marriot em 9th junho 2015

Teorias Malucas #002

Eu ia contar essa história pelo ponto de vista de uma observadora, me baseando em casos que ouvi essa semana, mas, é claro que a vida (ou teria sido o universo me mandando um recado ainda não decifrado?) resolveu me jogar como protagonista, talvez como um input pra tirar isso da cabeça e transformar em texto.

A teoria de hoje é sobre o véu da negatividade. É um nome péssimo, eu sei, mas extremamente ilustrativo.

Às vezes, não se sabe bem ao certo como e nem porquê, um véu se enrosca na gente. Da mesma forma que uma teia de aranha, ele gruda e fica lá se embolando cada vez mais até que você se manifeste.

O problema é que não é um véu, simplesmente. Há nele um tipo de substância tóxica que vai se instaurando dentro de você e começa a turvar seus sentidos. Tudo o que você vê toma uma conotação negativa, tudo o que você ouve ganha um duplo sentido malicioso, suspeito, e tudo o que você sente é cinza e amargo.

E o sistema do véu é retroalimentado, quanto mais você absorve essa negatividade, mais o véu cresce e envolve você, até que ele chega no seu coração. A expressão coração peludo não é à toa. São camadas e mais camadas que simplesmente bloqueiam a passagem da luz e te mergulham numa escuridão profunda.

O véu também tem poderes sobre o mundo lá fora. A substância dele se espalha e contamina várias coisas ao seu redor. E antes que você perceba, tudo começa a dar errado. Das menores coisas, como pegar um banheiro sem papel higiênico quando se está super apertado, até às maiores, como um dia ruim no trabalho seguido de briga com o marido e mordida da gata (meros exemplos que em nada refletem a vida desta autora).

Todo esse cenário parece horrível, mas eu venho para lhes contar que há salvação. Apenas o modelo de salvação que varia muito para cada pessoa. Isso porque cada um tem um gatilho dentro de si que ativa sensações boas. Descobri, pensando a respeito desta teoria, que os meus gatilhos são:

1) Ouvir músicas ridículas.

Esse é meu gatilho mais imediato. Não sei como ainda não fiz uma playlist de músicas ridículas para usar nessas situações, simplesmente abuso do shuffle até encontrar alguma delas. São músicas tão absurdas que o objetivo é te fazer esquecer do véu por algum tempo e simplesmente cair na risada.

Exemplos:

Popular – Wicked

I Want it That Way – Backstreet Boys

Pokémon Johto – Pokémon

2) Escrever.

Tuítes, e-mails que jamais vou enviar, SMSs, notas pra mim mesma, listas, ou seja, escrever qualquer coisa é uma maneira de lidar com a negatividade, de tirá-la do looping de neuroses da minha cabeça e colocá-la pra fora em algum lugar que eu possa consultar depois, com a cabeça mais fria (não à toa, o conceito da Penseira é o meu favorito em todo o universo de coisas mágicas que Harry Potter já inventou).

3) Ficar em contato com pessoas que te façam bem.

Você precisa ser independente, conquistar sua autoconfiança, saber ser feliz sozinho, etc, etc. Mas, não há nada de errado em ter uma pessoa que seja capaz de te animar com apenas uma frase, que saiba falar a coisa certa na hora certa. Eu já encontrei essa pessoa, mas não canso de me surpreender com a capacidade dela em falar exatamente o que eu preciso ouvir (sem que ela às vezes nem se dê conta do que está fazendo por mim).

Apesar dessas sugestões, a forma de lidar com o véu é muito parecida com a de um programa de reabilitação: o primeiro passo é reconhecer e aceitar que você está com ele. Que você não é esse serzinho pessimista, negativo e sofredor todos os dias, apenas está sob a influência de algo péssimo. E a partir desse reconhecimento, a saída: usar todas as fibras do seu ser para se livrar dele e voltar a aproveitar a vida como ela deve ser vivida.

Postado por Leca Marriot em 5th junho 2015

O Frankenstein de Danny Boyle em cartaz no UCI

Vez ou outra, algo muito legal vem para Curitiba. O acontecimento da vez foi a transmissão da peça Frankenstein, de 2011, em duas sessões do UCI no Shopping Estação.

Confesso que só fiquei sabendo da existência da peça pelo acaso de acompanhar notícias sobre  Benedict Cumberbatch, que estrela as duas versões da peça.

Duas versões da peça?

Sim.

frankenstein

Danny Boyle foi tão maravilhoso em sua direção que fez BenedictJonny Lee Miller (que é ninguém menos do que o Sherlock Holmes de Elementary! ah, as ironias dessa vida…) alternarem seus papéis nas noites em que a peça ficou em cartaz. Então, se em uma noite Benedict era a criatura, na outra, ele encarnava Victor Frankenstein e vice-versa.

A versão que assisti traz Benedict Cumberbatch no papel da criatura. Para as fãs do ator, há um burburinho imenso a respeito da nudez dele nesta versão. E por mais que eu tenha perdido alguns bons minutos analisando a anatomia do ator no início da peça, confesso que fiquei realmente impressionada foi com o teatro.

A estrutura do National Theatre, em Londres, brinca com elementos de luz, fogo, chuva e até mesmo uma locomotiva, que invade o palco giratório, sendo capaz de nos levar de uma casa em chamas para o topo de uma montanha, sem abusar do óbvio. É um delírio visual.

A história deposita uma carga emocional muito grande na criatura. Seus sentimentos vão sendo construídos de uma forma tão intensa que o final é quase sufocante, de tanto que ele sente, sofre, e demonstra isso tudo.

E Benedict é realmente capaz de qualquer coisa, inclusive, até de nos fazer esquecer que está ali, visto que a maquiagem é extremamente caprichosa em transformá-lo na criatura medonha a que todos temem.

A versão alternativa, com Benedict fazendo o papel de Victor estará em cartaz somente no dia 07 de Junho (domingo), às 15h30. Ingressos ainda disponíveis aqui.

Postado por Leca Marriot em 4th junho 2015

Teorias Malucas #001

Eu tenho várias teorias malucas. A minha favorita é sobre a forma como o universo fala com todos de maneira individual.

Imagine que você é um ser humano que adora lhamas. São seus animais favoritos, e por causa delas, você planeja há anos uma viagem para o Peru, mas nunca a realiza, porque não quer ir sozinho, ou porque seu trabalho te impede de tirar férias, ou porque as passagens estão caras… enfim, cada uma hora desculpa diferente.

Pois bem, a vida segue, você abre seu computador para mais um dia de trabalho, vai dar uma checadinha rápida no Twitter antes de começar e dá de cara com o quê?

Sim, uma promoção imperdível de passagens para o Peru.

Você dá aquela favoritada, se compromete a ver com calma no horário do almoço e abre o Outlook para ver o que dia lhe reserva.

Pra sua sorte, o universo é bem persistente. 

Antes do final da manhã, um assunto chama a atenção de todos no escritório. Você, trabalhando concentrado de fones de ouvido, demora a perceber, até que o colega do lado te cutuca para que você dê uma olhada numa transmissão ao vivo da coisa mais louca que ele já viu…

 

Sim, uma perseguição à duas lhamas no meio de uma rodovia.

Para todas as outras pessoas daquele escritório, é só mais uma maluquice trazida diretamente da internet e que certamente já está virando meme pelas mãos de algum desocupado do outro lado do mundo.

Mas para você, que sempre foi apaixonada por elas, que vem planejando essa viagem na cabeça há meses, que viu aquela passagem pela manhã acenando para você, para você, essa perseguição das lhamas é finalmente a voz do universo se fazendo presente em sua vida e o significado não poderia ser outro: arrume as malas e vá logo para o Peru, você pode estar morto amanhã.

É preciso essa combinação de histórico mais fato recente para conseguir decodificar a mensagem do universo. É por isso que a mensagem é sempre individual, diferente do horóscopo, ela não se aplica a um grupo de pessoas.

E como eu disse, o universo é bem persistente. Às vezes, as mensagens podem ser transmitidas por dias, meses, anos, até que finalmente, a ficha cai. Algumas pessoas são mais resistentes a elas, já outras, entenderam tão bem como o padrão funciona que são desesperadas, loucas para que aquele tropeção na calçada esteja diretamente conectado àquele bonitão que aparentemente lhe deu uma piscadela no minuto anterior. Essas, já estão abusando do meio de comunicação do universo e buscando significados inexistentes onde é simplesmente a vida seguindo o seu curso natural.

Eu? Bem, eu me encontro na intersecção entre os dois grupos. Não sou completamente imune às mensagens do universo (embora algumas se esfreguem em purpurina dourada à minha frente e eu demore um pouco mais do que o necessário para reconhecê-las), mas também já descobri como o método funciona, então, a cada coincidência, brota dentro de mim uma esperança de que aquilo não seja simplesmente o cotidiano, mas sim, uma parte de algo maior, alguma festa de aniversário surpresa que o Universo esteja preparando há tempos para mim.

Assim que a suspeita demora a se concretizar, a esperança silenciosa se esvai e volta para o seu compartimento. Ela fica ali guardadinha até a próxima virada de esquina, pois é animador saber que logo ali pode estar o inesperado, louco para nos surpreender e entregar respostas que muitas vezes não somos capazes de encontrar sozinhos.

[esse post foi um oferecimento das duas mensagens enviadas pelo universo hoje, entregues pela @maribergo e pela @lorimeyers, ambas com um objetivo claro: preciso voltar a escrever aqui]