Postado por Leca Marriot em 21st junho 2015

Divertida Mente: a vitória do lúdico e da simplicidade

Neste final de semana vi Divertida Mente (ou Inside Out, como preferir), depois de muita expectativa após ter visto e me apaixonado pelo trailer:

(Coloquei o dublado porque essa versão é a mais legal para mostrar todo o contexto do filme e não só um pedaço)

Só por ele já dá pra perceber que é um filme sobre o que a Pixar sabe fazer de melhor: ilustrar as relações humanas de forma lúdica e sensível. A gente já tinha visto isso em Toy Story, Procurando Nemo e tantos outros sucessos do estúdio, mas, Divertida Mente é como se fosse o precursor, ou ainda, a obra-prima do estúdio em relação aos sentimentos. Ele é tão primordial que é como se a Pixar nos falasse “ok, agora que experimentamos bastante, estamos realmente prontos para falar sobre os sentimentos básicos de cada ser humano”.

Saí do cinema com a fé renovada. Minhas teorias não eram tão loucas assim se um filme que cria personagens para cada uma das emoções dentro de nós bate recordes de bilheteria. Tem mais gente lá fora pensando assim também e não há nada de errado nisso.

Precisamos do lúdico para nos entendermos melhor. Percebi isso com o tempo, e com a ajuda das sessões de terapia, que quase sempre tratavam os temas mais complexos e obscuros de maneira leve, por meio de metáforas simples, que sempre me faziam sair de lá pensando.

Aquele alçapão que prende os medos mais escuros da Riley? Been there, done that. Minha terapeuta foi mais além e me disse que quando enfiamos coisas demais naquele armário, fica difícil viver, pois é como se você tivesse que segurar uma porta abarrotada de coisas enquanto tenta seguir fazendo as coisas do dia-a-dia. Não é possível se concentrar, não é possível fazer nada. É preciso arrumar a casa e falar sobre aquele monte de medos e inseguranças que você joga no quarto escuro, antes que eles dominem você.

E é tão mais fácil encarar as coisas desta forma pois todo mundo se prende a uma boa história, mas nem todo mundo quer ouvir falar de terapia.

Eu poderia facilmente contar a história de um par de rosas que resolvem crescer juntas, presas por um barbante. Uma dá apoio à outra, e juntas, elas crescem mais fortes, na mesma direção, diferente de um outro jardim, onde duas rosas crescendo sozinhas e desgovernadas também estão crescendo, mas, se distanciando cada vez mais uma da outra e tomando formas completamente diferentes. Poderia ser um curta sobre um jardim? Claro. Mas poderia ser também uma metáfora sobre o casamento. Eu ouvi essa história quando estava prestes a casar e surtando sobre os milhões de significados que isso poderia ter para a minha vida e realmente me ajudou a relembrar questões básicas e fundamentais sobre o relacionamento humano.

Divertida Mente é encantador e me fez lembrar muito de Steve Jobs por aquilo em que ele era melhor: fazer as pessoas enxergarem de maneira clara as questões fundamentais da vida. Ele fez isso com a forma de ouvir música e Divertida Mente fez com a forma com que se constrói (e destrói) uma personalidade, com as memórias que esquecemos (e aquelas que insistem em voltar o tempo todo), e com o fato de que às vezes precisamos da tristeza, pois ela é parte do nosso crescimento.

São tantas coisas possíveis de se identificar, que esse talvez seja o maior triunfo do filme. Você não precisa ser adulto ou criança para gostar dele, basta ter vivido (e ter algum poder de abstração) pra tudo aquilo fazer sentido pra você.

Moral da história: vou continuar compartilhando minhas teorias (agora não mais tão malucas) e falando sobre sentimentos aqui. Vai que um dia a Pixar me nota e me contrata para uma continuação, né? :)

Postado por Leca Marriot em 9th junho 2015

Teorias Malucas #002

Eu ia contar essa história pelo ponto de vista de uma observadora, me baseando em casos que ouvi essa semana, mas, é claro que a vida (ou teria sido o universo me mandando um recado ainda não decifrado?) resolveu me jogar como protagonista, talvez como um input pra tirar isso da cabeça e transformar em texto.

A teoria de hoje é sobre o véu da negatividade. É um nome péssimo, eu sei, mas extremamente ilustrativo.

Às vezes, não se sabe bem ao certo como e nem porquê, um véu se enrosca na gente. Da mesma forma que uma teia de aranha, ele gruda e fica lá se embolando cada vez mais até que você se manifeste.

O problema é que não é um véu, simplesmente. Há nele um tipo de substância tóxica que vai se instaurando dentro de você e começa a turvar seus sentidos. Tudo o que você vê toma uma conotação negativa, tudo o que você ouve ganha um duplo sentido malicioso, suspeito, e tudo o que você sente é cinza e amargo.

E o sistema do véu é retroalimentado, quanto mais você absorve essa negatividade, mais o véu cresce e envolve você, até que ele chega no seu coração. A expressão coração peludo não é à toa. São camadas e mais camadas que simplesmente bloqueiam a passagem da luz e te mergulham numa escuridão profunda.

O véu também tem poderes sobre o mundo lá fora. A substância dele se espalha e contamina várias coisas ao seu redor. E antes que você perceba, tudo começa a dar errado. Das menores coisas, como pegar um banheiro sem papel higiênico quando se está super apertado, até às maiores, como um dia ruim no trabalho seguido de briga com o marido e mordida da gata (meros exemplos que em nada refletem a vida desta autora).

Todo esse cenário parece horrível, mas eu venho para lhes contar que há salvação. Apenas o modelo de salvação que varia muito para cada pessoa. Isso porque cada um tem um gatilho dentro de si que ativa sensações boas. Descobri, pensando a respeito desta teoria, que os meus gatilhos são:

1) Ouvir músicas ridículas.

Esse é meu gatilho mais imediato. Não sei como ainda não fiz uma playlist de músicas ridículas para usar nessas situações, simplesmente abuso do shuffle até encontrar alguma delas. São músicas tão absurdas que o objetivo é te fazer esquecer do véu por algum tempo e simplesmente cair na risada.

Exemplos:

Popular – Wicked

I Want it That Way – Backstreet Boys

Pokémon Johto – Pokémon

2) Escrever.

Tuítes, e-mails que jamais vou enviar, SMSs, notas pra mim mesma, listas, ou seja, escrever qualquer coisa é uma maneira de lidar com a negatividade, de tirá-la do looping de neuroses da minha cabeça e colocá-la pra fora em algum lugar que eu possa consultar depois, com a cabeça mais fria (não à toa, o conceito da Penseira é o meu favorito em todo o universo de coisas mágicas que Harry Potter já inventou).

3) Ficar em contato com pessoas que te façam bem.

Você precisa ser independente, conquistar sua autoconfiança, saber ser feliz sozinho, etc, etc. Mas, não há nada de errado em ter uma pessoa que seja capaz de te animar com apenas uma frase, que saiba falar a coisa certa na hora certa. Eu já encontrei essa pessoa, mas não canso de me surpreender com a capacidade dela em falar exatamente o que eu preciso ouvir (sem que ela às vezes nem se dê conta do que está fazendo por mim).

Apesar dessas sugestões, a forma de lidar com o véu é muito parecida com a de um programa de reabilitação: o primeiro passo é reconhecer e aceitar que você está com ele. Que você não é esse serzinho pessimista, negativo e sofredor todos os dias, apenas está sob a influência de algo péssimo. E a partir desse reconhecimento, a saída: usar todas as fibras do seu ser para se livrar dele e voltar a aproveitar a vida como ela deve ser vivida.

Postado por Leca Marriot em 5th junho 2015

O Frankenstein de Danny Boyle em cartaz no UCI

Vez ou outra, algo muito legal vem para Curitiba. O acontecimento da vez foi a transmissão da peça Frankenstein, de 2011, em duas sessões do UCI no Shopping Estação.

Confesso que só fiquei sabendo da existência da peça pelo acaso de acompanhar notícias sobre  Benedict Cumberbatch, que estrela as duas versões da peça.

Duas versões da peça?

Sim.

frankenstein

Danny Boyle foi tão maravilhoso em sua direção que fez BenedictJonny Lee Miller (que é ninguém menos do que o Sherlock Holmes de Elementary! ah, as ironias dessa vida…) alternarem seus papéis nas noites em que a peça ficou em cartaz. Então, se em uma noite Benedict era a criatura, na outra, ele encarnava Victor Frankenstein e vice-versa.

A versão que assisti traz Benedict Cumberbatch no papel da criatura. Para as fãs do ator, há um burburinho imenso a respeito da nudez dele nesta versão. E por mais que eu tenha perdido alguns bons minutos analisando a anatomia do ator no início da peça, confesso que fiquei realmente impressionada foi com o teatro.

A estrutura do National Theatre, em Londres, brinca com elementos de luz, fogo, chuva e até mesmo uma locomotiva, que invade o palco giratório, sendo capaz de nos levar de uma casa em chamas para o topo de uma montanha, sem abusar do óbvio. É um delírio visual.

A história deposita uma carga emocional muito grande na criatura. Seus sentimentos vão sendo construídos de uma forma tão intensa que o final é quase sufocante, de tanto que ele sente, sofre, e demonstra isso tudo.

E Benedict é realmente capaz de qualquer coisa, inclusive, até de nos fazer esquecer que está ali, visto que a maquiagem é extremamente caprichosa em transformá-lo na criatura medonha a que todos temem.

A versão alternativa, com Benedict fazendo o papel de Victor estará em cartaz somente no dia 07 de Junho (domingo), às 15h30. Ingressos ainda disponíveis aqui.

Postado por Leca Marriot em 4th junho 2015

Teorias Malucas #001

Eu tenho várias teorias malucas. A minha favorita é sobre a forma como o universo fala com todos de maneira individual.

Imagine que você é um ser humano que adora lhamas. São seus animais favoritos, e por causa delas, você planeja há anos uma viagem para o Peru, mas nunca a realiza, porque não quer ir sozinho, ou porque seu trabalho te impede de tirar férias, ou porque as passagens estão caras… enfim, cada uma hora desculpa diferente.

Pois bem, a vida segue, você abre seu computador para mais um dia de trabalho, vai dar uma checadinha rápida no Twitter antes de começar e dá de cara com o quê?

Sim, uma promoção imperdível de passagens para o Peru.

Você dá aquela favoritada, se compromete a ver com calma no horário do almoço e abre o Outlook para ver o que dia lhe reserva.

Pra sua sorte, o universo é bem persistente. 

Antes do final da manhã, um assunto chama a atenção de todos no escritório. Você, trabalhando concentrado de fones de ouvido, demora a perceber, até que o colega do lado te cutuca para que você dê uma olhada numa transmissão ao vivo da coisa mais louca que ele já viu…

 

Sim, uma perseguição à duas lhamas no meio de uma rodovia.

Para todas as outras pessoas daquele escritório, é só mais uma maluquice trazida diretamente da internet e que certamente já está virando meme pelas mãos de algum desocupado do outro lado do mundo.

Mas para você, que sempre foi apaixonada por elas, que vem planejando essa viagem na cabeça há meses, que viu aquela passagem pela manhã acenando para você, para você, essa perseguição das lhamas é finalmente a voz do universo se fazendo presente em sua vida e o significado não poderia ser outro: arrume as malas e vá logo para o Peru, você pode estar morto amanhã.

É preciso essa combinação de histórico mais fato recente para conseguir decodificar a mensagem do universo. É por isso que a mensagem é sempre individual, diferente do horóscopo, ela não se aplica a um grupo de pessoas.

E como eu disse, o universo é bem persistente. Às vezes, as mensagens podem ser transmitidas por dias, meses, anos, até que finalmente, a ficha cai. Algumas pessoas são mais resistentes a elas, já outras, entenderam tão bem como o padrão funciona que são desesperadas, loucas para que aquele tropeção na calçada esteja diretamente conectado àquele bonitão que aparentemente lhe deu uma piscadela no minuto anterior. Essas, já estão abusando do meio de comunicação do universo e buscando significados inexistentes onde é simplesmente a vida seguindo o seu curso natural.

Eu? Bem, eu me encontro na intersecção entre os dois grupos. Não sou completamente imune às mensagens do universo (embora algumas se esfreguem em purpurina dourada à minha frente e eu demore um pouco mais do que o necessário para reconhecê-las), mas também já descobri como o método funciona, então, a cada coincidência, brota dentro de mim uma esperança de que aquilo não seja simplesmente o cotidiano, mas sim, uma parte de algo maior, alguma festa de aniversário surpresa que o Universo esteja preparando há tempos para mim.

Assim que a suspeita demora a se concretizar, a esperança silenciosa se esvai e volta para o seu compartimento. Ela fica ali guardadinha até a próxima virada de esquina, pois é animador saber que logo ali pode estar o inesperado, louco para nos surpreender e entregar respostas que muitas vezes não somos capazes de encontrar sozinhos.

[esse post foi um oferecimento das duas mensagens enviadas pelo universo hoje, entregues pela @maribergo e pela @lorimeyers, ambas com um objetivo claro: preciso voltar a escrever aqui]

Postado por Leca Marriot em 7th dezembro 2014

Selfie: um estudo de caso sobre as relações sociais no ambiente digital

Eu comecei uma pós-graduação em Comunicação Online neste ano e a melhor coisa que ela me ensinou até agora é que para se comunicar no ambiente digital, você precisa primeiro saber se relacionar fora dele.

O bacana dessa pós é que ela segue um modelo modular. Ou seja, enquanto eu possuo professores que acham perfeitamente normal participar do casamento de um amigo via Skype, outros, que possuem uma linha de pensamento mais próxima da minha, concordam que a velocidade com que a tecnologia tem avançado está provocando mudanças muitas vezes não muito positivas na nossa forma de se relacionar.

Foi em uma dessas aulas que eu me deparei com esse TED Talk apresentado por Sherry Turkle, uma psicóloga que já foi capa da Wired em 1996 por celebrar as comunidades virtuais e em 2012, voltou ao TED para dizer que a tecnologia está nos levando a lugares que nós não queremos ir. Ela explora o conceito “Alone Together” e diz que “esperamos cada vez mais da tecnologia e menos um dos outros“. Vale a pena assistir completo para entender melhor a construção do raciocínio.

E por mais que eu seja uma usuária assídua, ouvir todas essas coisas me deixou profundamente deprimida, não com relação à tecnologia, mas sim, com os seres humanos. Porque nos perdemos dessa forma?

Fonte.

E foi com tudo isso em mente, que eu me deparei com Selfie, uma série da ABC. A premissa não é novidade (a série é inspirada em My Fair Lady, que por sua vez, foi inspirada em O Pigmaleão) e é bem fácil de entender:

Selfie conta a história da jovem Eliza Dooley (Karen Gillan) que é viciada nos seus perfis nas redes sociais e vive mais preocupada com seus “likes” no mundo virtual do que com seus relacionamentos no mundo real. Mas sua obsessão narcisista acaba lhe trazendo problemas sérios. É então que ela vai atrás de ajuda para recuperar sua imagem pública. Ela busca ajuda de Henry (John Cho), um especialista em marketing, para que ele possa ensiná-la a dosar entre os relacionamentos reais e os virtuais. Viciado em trabalhos e um pouco irritado com a sua nova “empreitada”, Henry vai acabar aprendendo muito com Eliza também. (via AdoroCinema)

Obviamente, eu não estou aqui para julgar a qualidade do roteiro, produção, nem nada do gênero, mas sim, para falar da forma como a série retrata as relações sociais nos dias atuais.

E o que se esconde atrás do terrível nome da série e do argumento raso do piloto é uma análise, ou melhor, uma crítica, recheada de ironia e extremamente auto-consciente dos comportamentos que temos adotado e levado adiante, muitas vezes sem perceber.

Separei alguns exemplos para citar:

S01E01

A 1ª lição que Henry dá a Eliza em sua jornada de transformação é muito simples. Ele ensina Eliza a perguntar como a secretária da empresa está, em vez de só despejar seu fluxo de comentários aleatórios sobre ela.

Na primeira resposta que Charmonique, a secretária, dá, Eliza já está grudada no celular, sem ter prestado atenção a uma palavra do que ela disse.

Você já se viu em alguma das duas pontas dessa situação? Onde será que foi parar o interesse genuíno das pessoas naquilo que você comenta?

S01E02

No segundo episódio o foco é no fato de Henry não ter uma conta no Facebook. Os amigos de trabalho tiram sarro dele por isso e ele tenta se defender dizendo que está no Linkedin. 

E aqui há um paradoxo interessante. Henry não é convidado para a festa de aniversário da guria do TI da empresa pois não recebeu a solicitação via Facebook, mas ao mesmo tempo, assim que ele descobre que Eliza se machucou (com uma selfie que ela postou do hospital), ele corre pra lá para vê-la.

Ou seja, é possível viver com o melhor dos dois mundos, o difícil é encontrar esse equilíbrio e não depender somente de solicitações de eventos no Facebook, mas criando interações espontâneas, como visitar uma ex para colocar as coisas em dia, em vez de ficar stalkeando-a, por exemplo (Henry também faz isso nesse episódio, melhor personagem ♥).

S01E04

Em um dos meus episódios favoritos (lá se foi a imparcialidade do post), Eliza descobre aquilo que muitos de nós já sabemos: a internet é um imenso faz-de-conta.

Seguindo sua nova atitude de “fazer o bem ao próximo”, Eliza acaba perdendo o final de semana para ajudar a colega de trabalho, tomando conta do seu filho, o que a impede de fazer ~coisas descoladas~ para bater sua “rival” no status de seguidores do Instagram. O que a própria criança revela a ela, é que ela poderia facilmente “forjar” sua própria festa e diversão para sua rede.

Esse é um caso já tão conhecido, que não chega mais a ser novidade. Existem até cases de estudo sobre isso, como o da holandesa que forjou uma viagem para a Tailândia, enganando pais e amigos sem precisar sair da própria cidade. Outro exemplo bom é o curta-metragem noruguês “What’s on your mind?“, que faz uma forte reflexão sobre a necessidade de mostrarmos constantemente o quanto somos mais felizes, mais ricos e mais bonitos do que os outros.

A verdade é que se a vida fosse feita somente de “altos”, seria impossível viver. Precisamos dos “baixos” para valorizar aquilo que é bom. O problema é que a vida digital parece excluir esses “vales” da equação.

S01E05

Ah, a vida sem internet! Nesse episódio, Eliza e Henry vão para a casa de verão do chefe e Eliza se revela uma positiva surpresa em um lugar sem conexão.

Mais uma vez, o plot inverte a situação e mostra como Eliza consegue encontrar outras maneiras de se divertir sem seus milhares de seguidores, enquanto Henry surta tentando fazer tudo ser perfeito na companhia do chefe.

O que mais me encanta nessa história é o quanto as pessoas tem a oportunidade de conhecer umas às outras quando o celular não está envolvido. Tamanha é a aproximação, que, Henry e Eliza chegam a quase compartilhar um momento de maior intimidade até que, veja bem que (in)conveniência do destino, eles encontram sinal e voltam correndo cada um para dentro da sua bolha individual.

O que você está perdendo deixando de conviver com aqueles ao seu redor? Que experiências deixou passar enquanto estava com a cabeça para baixo scrollando a timeline?

E assim a série seguiria, pontuando ao longo de cada episódio pequenos detalhes como esses que citei. E eu sei que audiência e publicidade são fatores decisivos para o cancelamento de uma série, mas no fundo, no fundo, minha mente conspiratória se pergunta se não foi uma decisão muito maior dar um fim a essa reflexão sobre o que andamos fazendo das nossas vidas com essa explosão de tecnologia.

Sabemos que sempre existirão aqueles que se beneficiarão da alienação alheia. Por isso, o primeiro passo é sempre o mais importante: vamos falar sobre isso?