10 comportamentos das pessoas em San Francisco

Mais de um mês já se passou vivendo aqui na Califórnia e agora ficou mais fácil passar do nível de deslumbramento para o nível de percepção.

Viver em outro país te apresenta uma série de diferenças que vão muito além da língua ou da comida, são diferenças no comportamento, no jeito das pessoas.

É tão bacana perceber essas pequenas coisas do dia-a-dia que eu resolvi listar as que mais me impactaram, não só para não esquecer, como também para quem está lendo ter um pouquinho da percepção do que é conviver com as pessoas de San Francisco:

muni-san-franciscoMuni. Foto daqui.

1. Elas confiam em você, afinal, é a coisa certa a fazer.

É muito fácil se locomover pela cidade usando apenas o transporte público (e o Google Maps). Por isso, eu tenho andado muito de ônibus e metrô, e, durante essas viagens, vi uma das primeiras coisas que me cativou positivamente.

Aqui, você pode entrar pela porta dos fundos do ônibus. Não há cobrador, não há catraca. Existe um dispositivo em que você bate o cartão (Clipper) e ele contabiliza a sua passagem. Se você entrar pela porta da frente, pode pagar em dinheiro ao motorista, que te entrega o comprovante de pagamento, mas, nada te impede de entrar pela porta dos fundos sem pagar.

E as pessoas não fazem isso. Todas elas pagam corretamente, com exceção de algum turista desavisado ou um homeless perdido pela cidade, simplesmente porque é o correto a fazer.

2. Elas pedem desculpa. Mesmo quando não é necessário.

Uma vez, na rua, um rapaz estava trabalhando na calçada, colocando cimento ou algo assim. Quando nossos olhos se encontraram para eu poder entender a situação e desviar daquilo, ele me pediu desculpas pelo trabalho dele estar obstruindo o meu caminho.

Se o café vai fechar mais cedo, eles pedem desculpas pela inconveniência. Se esbarram em você no metrô, um I’m sorry é quase imediato.

sorry-san-francisco

Não dói, não arranca pedaço, não diminui a reserva de orgulho, simplesmente torna a convivência mais simpática.

3. Elas puxam conversa. Em qualquer lugar, por qualquer razão.

Mais de uma vez vi pessoas se conhecerem no ônibus. Duas senhorinhas começaram a conversar aleatoriamente sobre cortes de cabelo e quando vi, estavam apertando as mãos e se apresentando. A mesma coisa com um senhor, conversando animadíssimo com uma jovem que voltava de um festival no Golden Gate Park.

woman-dog-san-francisco

Aconteceu comigo também nas duas pontas da situação: uma senhora com o cachorro no parque (cachorros são ótimos para puxar assunto), começou a conversar conosco, animada porque estávamos com muita sorte em pegar dias ensolarados em San Francisco.

Na minha primeira visita a uma Apple Store, eu é que puxei o assunto. Perguntei ao vendedor como ele se sentia por trabalhar ali e ele contou todo orgulhoso que antes até tinha um emprego que pagava mais, mas, ele tentou por quatro vezes entrar para a Apple e quando finalmente conseguiu, mesmo ganhando menos, era infinitamente mais feliz. Clichê? Sim, mas o brilho no olho me fez acreditar no discurso do rapaz, que depois, me ajudou a provar o Apple Watch (mesmo sem ter pretensão alguma de comprar).

apple-watch

4. Elas elogiam. As maiores e menores coisas.

A atendente da Hot Cookie elogiou a forma como eu pronunciei o nome de um dos cookies que eles vendem (um fudge packer delicioso, tem resenha e foto lá no Yelp) e disse que gostava do meu sotaque (pra uma brasileira que está tentando perder o medo de falar em inglês em público, fui ao céu e voltei duas vezes).

Acho que já vi pelo menos dez pessoas diferentes elogiarem o bigode do Mauri. O último complementou o “nice moustache” com um “it’s a lifestyle“.

Uma menina com um vestido de Harry Potter ganhou um elogio aleatório de outra ao subir no ônibus. Se ela não tivesse elogiado, eu teria. A gente nunca sabe quando um elogio vai salvar o dia do outro.

Castro-street

5. Elas andam peladas, sim. Algum problema?

No segundo dia morando em Castro, vimos duas pessoas completamente peladas andando na rua. Eu já tinha lido a respeito, mas é uma coisa completamente diferente ver à luz do dia dois seres com apenas um tapa-sexo cobrindo a parte da frente. O resto era nudez total, até os pés descalços.

E se você acha que essa deveria ser a parte chocante da diferença de comportamento, lhe digo: não foi. A parte que mais me pegou de surpresa foi contar para os nativos essa história e eles nem piscarem. Já são tão acostumados com essa liberdade que eu passei a me questionar se eu não seria mais conservadora do que imaginava achando tudo isso tão diferente.

6. Elas são solícitas. Você não vai passar por um perrengue sozinho.

Logo que cheguei, ao ver que eu observava o mapa do BART com muito afinco, um rapaz se ofereceu para ajudar. Na rua, se você para por muito tempo olhando as placas, alguém já aparece para te oferecer orientação.

Um dia, fui ao mercadinho da esquina atrás de queijo mussarela (que não é um dos queijos mais populares aqui). Vasculhei a geladeira do lugar e nada. Perguntei ao dono e ele também não encontrou. Agradeci a atenção e saí, prestes a ir para o segundo mercado, um pouco mais distante. No meio da rua, ouço um grito e olho para trás: era o dono da loja me chamando de volta, pois tinha achado uma mussarela sabe-se lá onde.

Um pouquinho de atenção e um pouquinho de esforço em prol do outro podem fazer toda a diferença.

7. Elas são organizadas. E tudo funciona como deve ser.

Tive duas experiências aqui que me deixaram fascinadas com a organização da cidade. A primeira foi um show de graça do kickoff da NFL em San Francisco, com duas atrações musicais grandes: Train e Ellie Goulding.

ellie-goulding-kickoff-nfl

Nos registramos com antecedência pela Internet e, chegando lá, por mais que o número de pessoas fosse grande, tudo correu como previsto. Uma fila para o check-in, outra para a entrada (já com a pulseirinha), organizadores animados mesmo debaixo de sol e, mais cedo do que imaginávamos, estávamos lá dentro, de cara para o palco. Sem empurra-empurra nem confusão. O evento terminou no horário combinado e as pessoas se dissiparam, cada uma para o seu lado. Todo show tinha que ser desse jeito.

palestra-sean-ellis

A segunda experiência foi com outro evento gratuito, desta vez, uma palestra, dentro da Zendesk. Organizado via Meetup (obrigatório para saber o que acontece por aqui), o evento contava com comes e bebes e uma estrutura incrível para o palestrante durante o evento. Conteúdo de qualidade gratuito e com a conversação continuando depois nos comentários do próprio Meetup.

8. Elas são (muito) viciadas em tecnologia.

Com wi-fi gratuita espalhada pela cidade e um novo gadget a cada momento, é impossível esperar que as pessoas não sejam aficcionadas por tecnologia.

Aqui, eu penso que todas aquelas ilustrações sobre o apocalipse tecnológico são ainda mais reais. Em todo canto, as pessoas estão grudadas nos seus celulares, ou ainda, nos seus Macbooks. Lembra aquele item da confiança lá no início? Pois é, não é muito difícil encontrar pessoas no ônibus, ou até mesmo na rua com o Macbook aberto fazendo sabe-se lá o quê.

9. Elas amam futebol. E baseball. Pra valer.

Com o início da temporada de futebol americano, foi divertido assistir à cidade se transformar. Talvez pelo fato do Super Bowl voltar para San Francisco depois de anos, mas o fato é que a cidade inteira está expressando sua paixão. Camisetas, bonés, jerseys, eles realmente ficam insanos.

baseball-at-t-park

E não é só por futebol americano. O baseball também movimenta multidões e é interessantíssimo ver como isso agita a moda e praticamente todas as marcas na cidade. Se a gente achava que os comerciais relacionados ao futebol só aconteciam em época de Super Bowl, ledo engano, todas as marcas querem ter alguma relação com o esporte, afinal, é só disso que se fala aqui.

Não se surpreenda se alguém virar para você e perguntar quanto foi o placar do jogo. É realmente importante para eles.

10. Elas não são de San Francisco.

Nativos até o momento? Poucos. A maioria das pessoas com quem conversei aqui são de outras partes do mundo. Tailândia, Nova York, Filipinas… O clichê aqui, talvez seja ser brasileiro.

chinatown-sanfrancisco

Outra coisa que me surpreendeu foi descobrir que San Francisco tem uma população de chineses muito grande, sua Chinatown é uma das maiores, e ainda existe uma Japantown para complementar a grande parcela de cultura oriental. Por isso, olhos puxados e uma língua completamente diferente do inglês (até mesmo em anúncios) são mais comuns do que você imagina por aqui.

Existem todas essas coisas no Brasil? É claro que sim. Mas o meu ponto é que, quando você está em um país diferente, com uma série de pré-conceitos trazidos na mala, cada um que você elimina e substitui por algo bom, é uma vitória.

San Francisco é uma cidade cheia de boas pessoas. Assim como Curitiba, São Paulo ou qualquer outra pela qual eu já tenha passado. A diferença está apenas na capacidade de enxergá-las.

Que tal observar o comportamento das pessoas ao seu redor hoje?

Para ver mais posts sobre a aventura em San Francisco, clique aqui.

Para me ajudar a escolher o próximo tema sobre Francisco, vote aqui.

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