2015, meu ano da coragem

Eu não tenho o costume de refletir muito sobre os meus anos. Apenas quando o relógio se aproxima da meia-noite no dia 31 é que eu faço um balanço raso e silencioso a respeito dos meus 365 dias anteriores.

Pra piorar, eu ainda tenho uma memória muito curta, geralmente só lembro daquilo que aconteceu nos dias mais próximos. E isso me dá uma falsa sensação a respeito do ano que passou. Se o fim do ano foi ruim, significa que o ano inteiro foi ruim? Claro que não.

Por isso, resolvi me dedicar mais a pensar sobre o ano que passou, e, unindo o útil ao agradável, aproveitei essa fase de escrever mais para compartilhar por aqui.

Sei que estou escrevendo muito mais para mim do que qualquer outra coisa, mas não deixa de ser um convite para aproveitar os dias que nos restam para lembrar, desde o início do ano, das lições que 2015 nos trouxe.

oprah_Courage

Fonte.

Coragem para largar um antigo trabalho.

Esse ano começou com uma decisão difícil: sair de um trabalho no qual eu já estava há bastante tempo.

Foi uma questão clássica de trocar o certo pelo o duvidoso e só tive a certeza de que estava tomando a decisão correta quando percebi que a balança havia se desequilibrado e o potencial que eu havia alcançado ali não estava mais sendo correspondido pela empresa em vários aspectos, não somente o financeiro.

Não dá nem para dizer que eu havia alcançado a zona de conforto, como acontece com muita gente que fica por muito tempo em um trabalho, pois eu estava exatamente no oposto, trabalhando muito para manter a casa em ordem, pois era a coisa certa a fazer.

Foi um período muito importante para que eu pudesse encontrar os meus limites e aprendesse a discernir aquilo que era realmente necessário para o meu crescimento daquilo que era puramente sobrecarga, e por isso, sou grata.

Coragem para começar um novo trabalho.

Aceitar o duvidoso foi uma prova mais difícil do que eu poderia prever. Começar um novo trabalho requer certos esforços que eu, há muito tempo no emprego antigo, já tinha me esquecido que existiam.

Conquistar a confiança de uma equipe inteira e provar para essas pessoas que nunca me viram na vida que eu estava do lado deles, e sentada naquela cadeira para fazer o meu melhor e não apenas receber um salário ao final do mês, foi difícil. Tive que lembrar que cada pessoa tem um ritmo diferente e portanto, necessitava de uma abordagem exclusiva. Aprendi muito na prática sobre relacionamento interpessoal e confiança.

E, como em todo processo de aprendizado, saí enriquecida. Descobri, ao tentar contagiar todo mundo com o mesmo gás que eu tinha ao começar um novo emprego, um otimismo dentro de mim que eu nem imaginava que era tão grande. De quebra, ainda ganhei outra característica para a coleção: resiliência.

Coragem para largar tudo, de novo.

Quando tudo parecia caminhar para aquela velha fórmula de trabalhar muito e viver pouco, a minha vida pessoal gritou, exigindo atenção.

A história completa eu contei aqui. A versão curta foi que 2015 me presentou com uma oportunidade de ir morar fora, por três meses. Mesmo com um caminhão de inseguranças, resolvi aceitar. Não sem antes ouvir meus mentores e confiar que no final, tudo se ajeitaria. Foi um mix de racionalidade e coragem para me jogar no abismo, crente de que haveria uma rede em algum lugar, lá no fundo.

Foi, sem dúvida, uma experiência importante, que me ensinou diversas lições: como viver com pouco, como conviver com outras pessoas que não fossem da minha família, como achar maneiras de aproveitar tudo o que a vida tem para oferecer.

Tive dificuldade de me desligar dos compromissos do trabalho nos primeiros dias, mas depois que consegui, não tirei mais da cabeça a importância que viajar traz para nos ensinar coisas novas.

Coragem para recomeçar, todos os dias.

Voltar para casa me lembrou que todo dia é um recomeço. Chegar em São Paulo e dar de cara com uma nova vida, da minha sobrinha, deixou isso ainda mais claro. Não adianta tentar escapar, ou achar que estamos inertes no processo, a vida sempre encontra maneiras de continuar fluindo, se reinventando e mantendo a roda a girar.

Com isso em mente, criei coragem para encontrar outras virtudes. Já sabia que era uma ótima funcionária, mas descobri ser também uma excelente dona de casa, uma empreendedora criativa, uma escritora acadêmica, uma esposa carinhosa…

Posso ser tantas coisas, que, para 2016, minha única expectativa é não parar de experimentar coisas novas e descobrir diferentes maneiras de ser feliz, seja apresentando um relatório a um cliente, ou simplesmente assistindo a um pôr-do-sol de cores incríveis durante um final de semana qualquer.

Quando eu comecei a refletir sobre esse ano, achei que seria muito difícil superá-lo, por causa das tantas coisas boas que ele me trouxe.

Porém, só agora, olhando para o ano de uma forma completa, é que eu pude perceber que 2015 foi só o começo, e que o melhor presente que ele me trouxe foi a capacidade de pensar diferente e a coragem para descobrir algo sempre melhor, ainda por vir.

Feliz ano novo. Muita coragem pra vocês. 

2 comments Write a comment

  1. oie leca! :)
    o meu ano também foi baseado em coragem e, principalmente, cabeça aberta para encarar o que viesse… não foi um ano muito fácil, mas acho que, no final, o resultado foi mais positivo do que negativo. a parte de trocar de trabalho foi em 2014, mas diferente de você, eu ainda não tinha muito tempo de empresa… além disso, eles fizeram o favor de me demitir antes de eu pedir demissão, OU SEJE, saiu melhor do que a encomenda… e estou gostando do trabalho novo, já estou há mais de 1 ano aqui. mas a parte de “começar de novo” é sempre meio complicadinha, né? mas faz parte… não tive a oportunidade de ir para fora este ano, mas conheci duas cidades diferentes (recife e curitiba). e, nas últimas semanas de dezembro, tomei coragem de fazer o que passei 8 meses remoendo dentro de mim… não deu em nada, mas o que importa é que estou me sentindo em paz, feliz com os acertos e com as lições aprendidas por conta dos erros e tropeços… que 2016 venha com uma dose ainda maior de coragem e espontaneidade, amém.
    beijo pra você =***

  2. Poxa, quanta experiência em um post só…
    Confesso que estou passando pelo momento que você passou sobre estar na zona de conforto e o corpo e a alma gritando por algo novo. Acho que é meu principal objetivo para 2016, além de concordar que devemos ser sempre o melhor que pudermos e nunca deixar de experimentar.
    Adorei o post. Feliz ano novo, Leca, que ele seja cheio de experiências pra você!

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