A resposta longa para a pergunta “Você gostou do novo filme de Star Wars?”

Uma amiga me fez essa pergunta e eu não soube muito bem o quê responder porque dizer algo me baseando somente nesse filme seria muito pequeno perto de toda a experiência que eu tive com Star Wars este ano. Por isso, optei pela resposta mais longa, que virou esse post. Bora lá.

SOBRE A SAGA ANTIGA

Acredito que, como muitas pessoas, fui tragada para dentro da franquia graças ao lançamento do novo filme. E não tem nada de errado nisso.

Fiz uma reflexão para tentar entender porquê Star Wars não havia entrado antes na minha vida me baseando no ano de lançamento dos filmes:

Episódios IV, V e VI – foram todos lançados antes da data do meu nascimento, então, não havia muito o que eu pudesse fazer a respeito.

Episódio I – lançado em 1999, quando eu estava na sexta série. Eu provavelmente estava mais preocupada com amores não-correspondidos e jogando Sonic após a escola.

Episódio II – lançado em 2002, quando eu começava o ensino médio. Ganhei meu primeiro computador. Em vez de pesquisar sobre Star Wars, fui para fóruns de Britney Spears e Harry Potter, onde fiz amigos que mantenho até hoje. Ou seja, apesar da oportunidade perdida, não me arrependo dessas escolhas.

Episódio III – lançado em 2005, quando eu me formei no ensino médio e comecei uma peregrinação para tentar passar no vestibular. Cursinho, cursinho, cursinho. Estava totalmente imersa na cultura oriental nessa época, então, talvez tenha faltado um olhar para o ocidente para poder prestar atenção em Star Wars.

A influência dos pais também não me ajudou muito nesse aspecto. Minha mãe nunca foi muito de filmes. Meu pai era fã confesso de Star Trek, então, conheci Spock muito antes de saber quem eram Luke e Leia.

COMO SAN FRANCISCO ME FEZ GOSTAR DE STAR WARS

Apesar do anúncio do novo filme ter sido feito há muito tempo, foi só durante o período em que eu estive em San Francisco que eu realmente parei para refletir sobre o quê isso significava para a cultura.

Aliás, o estopim para pensar a respeito disso veio quando eu procurava atrações turísticas para visitar em San Francisco. Se você vai pra lá e visita apenas a Golden Gate e as Painted Ladies, não faz ideia dos tesouros que está perdendo escondidos pela cidade. Um deles é a Lucasfilm, que fica escondidinha dentro do Presidio National Park.

IMG_5433

Com esta informação em mãos, decidi dar uma chance aos filmes. Afinal de contas, que graça teria visitar a Lucasfilm sem conhecer suas referências? Por isso, peguei uma tarde e comecei a assisti-los na ordem de lançamento (o que mais tarde, descobri, foi um erro).

episodiosIV_V_VI

Arte por Olly Moss.

Episódios IV, V e VI foram um deleite. Da clássica abertura à apresentação dos personagens, tudo fluía muito bem, no visual (impossível acreditar que o primeiro filme foi lançado em 1977) e no roteiro. E mesmo com milhões de spoilers rondando a internet por anos a fio, ainda caí na história de Luke e Leia se apaixonarem, até descobrir, embasbacada, que eles eram irmãos.

Enquanto assistia, já saí procurando mil itens para comprar, afinal de contas, ao terminar o primeiro filme, um sabre de luz já havia subido diversas posições na minha lista de prioridades de compra da viagem.

episodesI_II_III

Arte por Zenithuk.

Episódios I, II e III foram um pouquinho mais difíceis de engolir. O II especialmente, graças à chatice de Anakin adolescente, entre outras enrolações na história (clones zzzzz), que atrasam um pouco o desenvolvimento do que realmente interessa nessa parte: o nascimento de Darth Vader, o mito. Eu já sabia quem ele era e já tinha diversas referências de outras obras que se apropriaram de coisas como a marcha imperial, por exemplo. Por isso, vê-las em seu habitat natural foi uma desconstrução interessante que me fez enxergar o fenômeno Star Wars como algo ainda maior do que eu imaginava.

No fim, os personagens carismáticos que constroem a história e as milhares de reflexões sobre família, vingança e a eterna luta entre o bem e o mal, pintados aqui pela dualidade de luz e sombra da força, fizeram com que a paixão pela franquia fosse instantânea.

Com o coração mais tranquilo, fui conhecer a Lucasfilm. Um ônibus te deixa praticamente na porta e, escondido em uma espécie de campus, você mal acredita quando vê a estátua do Yoda surgir do nada na sua frente.

Yoda_fountain

Yoda_fountain2

A Yoda Fountain esconde a entrada para o estúdio. Fui durante um dia de semana, em horário comercial e tive a oportunidade de entrar no lobby, onde visitantes são mais do que bem-vindos. Passei a tarde ali observando cada memorabília disposta na estante, cada livro, cada estátua e cada pessoa que entrava ali para desfrutar de tudo aquilo também.

estante

luke_lightsaber

estatuas

r2-d2

storyboards

DSCN7094

Me diverti muito com o fato de que havia wi-fi liberada para os visitantes ali e com isso consegui gravar mil snaps e periscopes (estou em ambos como @lecamarriot). Infelizmente, não tinha nenhum conhecido que trabalhasse ali para me levar portão adentro, mas vi crianças saírem saltitantes de lá após uma visita, que, certamente, deve ter sido mágica.

IMG_5421

Selfie com R2-D2: check!

Quase que simultaneamente à minha paixão recém-descoberta pela série, o fervo em torno do novo filme começou a aumentar com a divulgação do trailer durante um jogo de futebol americano. Fiquei cravada na frente da TV aguardando ao vivo o trailer junto com metade do mundo.

Chorei quando vi o abraço entre Leia e Han Solo e soube que o estrago estava completo. Eu já estava ligada emocionalmente à franquia.

Comprei meu ingresso com meses de antecedência. Só não comprei para a noite de estreia porque estava traumatizada demais com a falta de educação das pessoas em pre-estreias anteriores. Cinema não é lugar de bagunça, não importa o quanto você esteja pilhado para um filme.

Mal sabia eu que o fervo em torno de Star Wars seria algo muito maior do que eu jamais vi/vivi com qualquer outra série. Fiquei feliz por um segundo por não ter tanto acesso à internet na época em que os livros de Harry Potter foram lançados. Teria sido impossível escapar dos spoilers sendo lançados a torto e a direito.

STAR WARS: O DESPERTAR DA FORÇA

poster-horizontal_starwars

Antes de entrar na sessão, uma energia muito diferente foi tomando conta de mim (a força?). Muitas pessoas no shopping estavam vestidas com camisetas da série, inclusive eu, que agradeci à Riachuelo por lançar uma coleção bem a tempo da estreia.

Screen Shot 2015-12-26 at 9.02.10 PM

Vi muitos pais e filhos juntos na fila do cinema e invejei um pouquinho essa relação. O máximo que eu tinha era a minha melhor amiga que assistiu a um dos primeiros filmes no cinema e tinha essa nostalgia bacana para comparar com o novo.

A ansiedade era tamanha pro que estava por vir que quando o STAR WARS gigantesco apareceu na tela eu gargalhei. Ri que nem criança enquanto a música tocava e não tirei mais o sorriso da cara.

Quando o filme começou, agradeci muito pelo 3D e pela benção do IMAX em Curitiba. As primeiras cenas, no deserto de Jakku, ficaram lindas, com uma profundidade devastadora, bem como as cenas de perseguições nas naves, que tiveram o efeito do 3D muito bem utilizado. Agradeci a JJ Abrams pela lindeza do filme várias vezes na minha cabeça.

Rey

E assim como nos primeiros filmes, os personagens me conquistaram logo de cara. Como não se apaixonar por Rey, em sua solidão do deserto tentando sobreviver a cada novo dia, mesmo quando tudo conspira contra ela?

Finn também foi uma figura fácil de se identificar. Fugir do dark side e encarar a luz não é pra todos e ele faz isso com maestria. Junto com ele, Poe, e o adorável BB-8 fecharam uma turma da nova geração incrivelmente talentosa e com histórias incríveis, com um potencial gigantesco pela frente.

Quando os personagens antigos apareceram, o cinema veio abaixo. Harrison Ford é uma estrela de maior grandeza e é impressionante como ele não perdeu nem um pouco do charme e da auto-confiança que só um personagem como Han Solo é capaz de oferecer. Carrie Fisher também emocionou e me deu muito orgulho vê-la em uma posição de destaque, coisa que me surpreendeu logo nos primeiros filmes.

Tive a coincidência de assistir Star Wars no ano mais feminista desde que me conheço por gente, e pra mim, foi uma surpresa muito positiva ver que tinha gente olhando para o empoderamento feminino desde 1977, muito antes dessa bolha pensar em explodir. E ver essa história culminar com Rey como a heroína em destaque no filme foi lindo de assistir.

Por fim, a história, ao mesmo tempo em que fecha redondinha dentro de um primeiro arco, também deixa milhões de dúvidas que, esperamos que sejam respondidas nos próximos filmes.

E além das dúvidas que a internet inteira discute e especula nesse exato momento após ver o filme, carrego comigo dúvidas particulares, como por exemplo: terei uma filha para apresentar a Rey quando o próximo filme estrear? Resgatarei meu passado cosplayer ou pelo menos tentarei fazer o cabelo da Rey para ir trabalhar um dia? Transformarei o ato de ver todos os filmes em um ritual anual como o de HIMYM? 

Enfim, entrar para esse mundo de Star Wars foi um ponto alto desse ano. Fiquei feliz pelo filme novo ter sido um sucesso, feliz por ele ter sido uma excelente iniciação para os novatos (como eu), que tiveram a oportunidade de assistir a um episódio tão bom no cinema e mais feliz ainda por ele ter honrado tudo o que os anteriores fizeram tão bem. Das transições de cena malucas aos personagens inesquecíveis.

E ao contrário de Han Solo, eu só posso dizer que tenho um ótimo pressentimento sobre os filmes que estão por vir…

Deixe uma resposta

Required fields are marked *.