Creative Mornings em Curitiba – como foi?

O Creative Mornings começou em 2008, em New York, com uma premissa simples: café da manhã e uma palestra curta em uma sexta-feira, todo mês. De graça e aberto a quem quisesse chegar. Hoje, o formato continua o mesmo, mas de lá pra cá ele se tornou um evento global cujos voluntários carregam para cada país e cidade a proposta que o próprio nome já sugere: proporcionar manhãs criativas discutindo sempre temas bacanas.

Fui conhecer o CM apenas em San Francisco, e lá o timing não me favoreceu muito. Perdi a oportunidade de participar pois acabou sendo conflitante com o curso que eu estava fazendo. Fuéin.

MASSS, qual não foi a minha surpresa quando, ao voltar para Curitiba, me deparei com uma edição – a primeira, diga-se de passagem -, do Creative Mornings?

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Corri me inscrever e fiquei ainda mais empolgada quando foi anunciado que o palestrante seria um designer. Rodrigo Brenner é um dos sócios do Furf, um estúdio de design que não entrega produtos, e sim, soluções com um propósito, um contexto, um objetivo muito maior do que apenas aquilo que os olhos podem ver.

O local escolhido para o encontro foi o Nex Coworking, um espaço incrível que há muito tempo eu queria conhecer. O Nex é um dos maiores coworkings da América Latina e a estrutura que eles oferecem não deve em nada para as gringas.

E claro, para despertar a galera na manhã, havia café do Rause, um dos melhores da cidade, e pizzas do Pizza, outro lugar super bacana da cidade que eu ainda não havia tido a oportunidade de conhecer e que depois de provar, foi direto pro topo da lista para visitar logo.

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Foto: Facebook.

Também teve música de uma dupla com um projeto chamado Ireno que fez um som bem gostosinho antes da palestra.

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O tema das edições deste mês era Linguagem. E eu vi que tinha valido a pena acordar um pouquinho mais cedo quando o Rodrigo começou a palestra comparando o designer a um xamã. Assim como uma antena, que capta os sinais que estão ao seu redor, o designer é apenas o responsável por ver o que as pessoas estão criando, quais movimentos estão surgindo e ser o tradutor de tudo isso para aquilo que ele estiver fazendo.

Depois disso, ele apresentou alguns dos projetos do Furf, todos muito bacanas e reforçando o conceito de que uma cadeira não é apenas uma cadeira, por exemplo. O design deles vai além disso e conta histórias com um pouco de poesia em cada produto. Achei maravilhoso quando ele disse que adoraria ser poeta, mas como escrever não era o forte dele, ele desenhava para conseguir transmitir aquilo que sentia.

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Já pensou que quando você ganha flores, seu coração derrete? É esse sentimento que explica o design do vaso feito pelo Furf.

Depois dessa apresentação, ele foi para o ponto central da conversa naquela manhã, que era nos apresentar o Projeto Design Invisível.

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Fonte: Furf

A proposta era trabalhar com jovens do Instituto Paranaense de Cegos que já tinham aulas de artes e música por meio de uma ação chamada Ver com as Mãos. A princípio, a ideia era apenas ensinar design de produto. E isso, por si só, já teria sido um aprendizado gigantesco, pois o que o Rodrigo compartilhou, é que faz toda a diferença você ensinar o processo do design para uma pessoa que não tem referências visuais, ou seja, não tem o olhar viciado que nós já temos para premiações, logos famosos, listas de top 10 e tantos outros. O que o Rodrigo quis dizer em um trocadilho muito bem feito é que, sendo inundados por tantas referências, acabamos cegos para aquilo que realmente interessa para o projeto.

E dessa convivência com os alunos, saiu a oportunidade de criar produtos com eles. Desde a visita à fábrica, para entender o processo de produção, esses jovens tiveram a oportunidade de criar inteiramente seus próprios produtos. O briefing: criar algo para sentar. Amplo desse jeito, seria o terror dos designers mais gabaritados. Mas para eles, o desafio virou uma diversão. Cada um incorporou aspectos da sua história ao objeto e o resultado foram peças únicas, cujas histórias se entrelaçam com a dos seus criadores.

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Fonte: Furf

O Rodrigo encerrou a palestra resgatando a história do xamã e dizendo que há pouco tempo ele havia tido a curiosidade de pesquisar o que significava a palavra e qual não foi a surpresa quando ele descobriu que era “aquele que enxerga no escuro“. Arrepiante.

E pra encerrar, o Creative Mornings Curitiba ainda surpreendeu no momento das perguntas. Quando perguntado qual conselho ele daria para as pessoas que desejam fazer algo como ele fez, a resposta foi simplesmente: comece. Segundo Rodrigo, estamos vivendo uma época de muitas nomenclaturas, muito design centrado no usuário, design thinking… Quando na verdade, o que nós precisamos é de design doing. Gente fazendo, executando. Seja como for, o primeiro traço é aquele que faz toda a diferença.

Um ótimo lembrete para acompanhar o cafezinho e começar bem o dia.

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Print do snap (me segue lá: lecamarriot). Mostrei um pouquinho ao vivo do que rolou. 

O próximo Creative Mornings em Curitiba já tem data marcada: 26 de fevereiro e o tema será Ethics. As inscrições abrem sempre às 11h da segunda-feira anterior ao evento (neste caso, dia 22). É só se cadastrar aqui e ficar de olho na abertura das inscrições (geralmente, elas lotam no mesmo dia). Recomendadíssimo.

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