Diário de San Francisco – como tudo começou

Hoje eu completo um mês vivendo em San Francisco, na Califórnia. E mesmo assim, ainda acho surreal acreditar que sou eu vivendo essa história.

San_Francisco_City_Hall

Por incrível que pareça, ainda não fui visitar a Golden Gate. Por isso, fiquem com essa belíssima pose de blogueira na frente do City Hall. 

A velocidade com que tudo aconteceu não me deu muito tempo pra pensar, nem pra ter medo. Vim com a cara e a coragem de quem já deixou passar muita coisa na vida e não se perdoaria se deixasse passar mais uma apenas por dar mais peso para todos os “e se” que só uma mente inquieta na madrugada é capaz de produzir.

Muita gente me perguntou o que eu vim fazer aqui, então eu resolvi aproveitar esse “aniversário” de um mês para contar a história inteira. De repente, tem alguém do outro lado da tela na mesma dúvida/incerteza e nessas horas, não há nada melhor do que o relato de alguém real pra nos dar um pouquinho de segurança na vida.

O estopim

Tudo começou quando meu marido (referenciado daqui pra frente como riri, apenas) entrou para uma startup. Essa startup tem um baita potencial de crescimento, e, portanto, ela foi selecionada para um programa de aceleração chamado 500 Startups.

Fazer parte desse programa é uma oportunidade incrível de ter seu o negócio avaliado por gente que trabalha em grandes empresas de tecnologia.

O objetivo é aparar todas as arestas do seu negócio para que, ao final do processo, você apresente sua startup redondinha para investidores em um evento chamado “demo day” e capte recursos para que a sua startup cresça e se torne uma empresa de sucesso.

500_startups

Fui lá conhecer, obviamente. 

O Mauri já sabia de tudo isso, já conhecia a 500 e sempre teve o sonho de ter o próprio negócio. Ele já emplacou vários projetos desde que eu o conheço e portanto, participar de algo desse tipo seria o próximo passo lógico na carreira dele. Passar três meses em San Francisco, aprender com quem sabe, fazer networking, treinar o inglês, turistar… A lista de prós era enorme.

Quando eu recebi essa notícia, tinha acabado de trocar de emprego. Saí de uma agência de marketing direto para trabalhar em uma agência de internet. Estava feliz da vida aprendendo muita coisa sobre social media, BI, performance, e outras coisas que eu nem imaginava que existiam.

Mauri e eu conversamos muito sobre a oportunidade, não só entre nós, mas com todos que podíamos e a resposta foi unânime: essa é uma oportunidade única, não deixem passar.

Fizemos as contas e mesmo com o dólar descontroladíssimo, dava para ir, por isso, começamos a jornada.

O tal do visto americano

Como nunca tínhamos viajado para os Estados Unidos, o primeiro passo era ir atrás do visto americano. Medo, tensão, desespero e lógico, uma grana preta nessa etapa.

Decidimos tirar no Rio de Janeiro, porque lá a fila de espera era infinitamente menor e de quebra, ainda poderíamos conhecer um pouco melhor a cidade maravilhosa. Contratamos uma empresa dessas que te ajudam em todo o processo, porque não podíamos correr o risco de não conseguir tirar o visto por algum vacilo, mas, se alguém me perguntasse se eu recomendo contratar pra quem está com o prazo tranquilo para viajar, eu diria: não. Todas as informações que você precisa estão muito claras nos canais oficiais, talvez seja bacana considerar contratar uma empresa desse tipo somente se a sua história for muito complicada. Se for a passeio, é bem tranquilo fazer por conta.

Levamos trocentos trilhões de documentos (que não nos foram pedidos na entrevista) e tínhamos o discurso afiado na ponta da língua. Descobri que ser casado é uma coisa que ajuda muito nessas horas, você pode fazer a entrevista junto com a pessoa e isso dá uma boa aliviada na pressão. 

thanks_Obama_madame_Tussauds

Thanks, Obama (preview do post sobre o Madame Tussauds).

Depois de recebermos a benção do Obama para entrar no país, comemoramos. Uma etapa a menos.

Largar o emprego, como faz?

Com o visto em mãos, era hora de dar adeus ao meu emprego. Não foi nada fácil abandonar algo que eu estava ajudando a construir. O que me animou foi ouvir da minha própria chefe que era a melhor decisão a ser tomada. Juntas, planejamos o meu desligamento da forma menos traumática possível e eu fui embora mais tranquila, sabendo que eu não estava deixando a empresa na mão. Sempre deixem as portas abertas, crianças. Especialmente em um mercado de trabalho minúsculo como o de Curitiba.

Malas prontas?

Como fazer uma mala para quatro meses??? Comecei pesquisando sobre o clima de San Francisco (calor, com vento sempre) e levei o que achava necessário.

Ao chegar aqui já percebi algumas cagadinhas nesse arrumar de malas que eu prefiro tratar como “aprendizados“, por exemplo: porque não trazer um tênis de corrida quando você tem TEMPO para se desafiar a começar a correr? Acontece. Acho que eu ainda estava com a cabeça em viagens mais curtas, em que não dá tempo de você se desafiar a ser essa pessoa com hábitos diferentes.

E eu também ouvi muito das pessoas que nem precisava levar mala porque era mais fácil comprar tudo aqui. Com essa alta do dólar a história não é beem assim, mas, confesso que mesmo multiplicando x4, ainda tem coisa valendo muito a pena comprar aqui, mas, a gente conversa sobre isso em um post futuro sobre compras.

Burocracias

Deixar apartamento, gato, contas a pagar, tudo organizado para uma ausência de quatro meses é um baita desafio. Tendo mais sorte do que juízo, contei com a ajuda da minha cunhada (♥) que ficou no Brasil cuidando de tudo e garantindo que nada passasse batido nesse período. Se não fosse por ela, acho que o planejamento teria sido completamente diferente: achar um lugar decente pro gato ficar, alinhar com a síndica pra ficar de olho no apartamento, enfim, nessas horas, não dá pra fazer muito milagre, a gente precisa jogar com as armas que tem.

Compramos dólares no Brasil, liberamos cartões para usar no exterior e compramos as passagens e o seguro de saúde (indispensável!) com uma agência de turismo. Eu poderia ter pego o seguro com o cartão de crédito, mas, deu um medinho de precisar de algo a mais e como já faz algum tempo que eu não faço exames de rotina (shame on me), achei melhor prevenir.

Ok, mas o que você vai realmente fazer aí?

Nesse meio tempo, as palavras da minha (ex-)chefe reverberavam na minha cabeça: a oportunidade é ótima, mas só vá pra lá se puder voltar melhor do que estava aqui.

Por isso, procurei algo que pudesse fazer para me diferenciar, voltar com uma estrelinha a mais no currículo, por exemplo. Dentre as várias opções, a que se encaixava no meu bolso e na minha carreira era o curso de Project Management da Intrax, uma instituição que eu até então não conhecia, mas descobri que era parceira de várias escolas de intercâmbio, como a CI, por exemplo. Me inscrevi, ganhei um desconto por conta da alta do dólar (thanks, Erica!), e o plano estava formatado, era só embarcar.

Longe, mas nem tanto

Antes de ir, passei um dia em São Paulo com a família. É sempre bom viajar com memórias fresquinhas de quem a gente ama.

O Mauri já tinha embarcado uma semana antes e eu estava mais tranquila, pois mesmo em outro continente, com uma diferença de fuso de quatro horas, percebi que conseguíamos nos falar diariamente. Um viva ao WhatsApp, FaceTime, Skype, Snapchat (ufa) e todas as maravilhas do mundo moderno.  ♥

Portas no automático…

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Fone de ouvido (extremamente necessário) e máscara pra aguentar o tranco da viagem.

Curti os voos internacionais com seus filmes, séries e jantares a bordo. Distrações necessárias para aguentar as 9 horas de viagem até Atlanta. Lá, tive que encarar a temida imigração.

passaporte_imigracao_eua

Quem vê o passaporte gasto assim, até pensa que viaja muito, né?

Mais angústia, desespero, aflição e medo de falar algo errado ali na hora, mesmo estando com a documentação certa e de fato, não estar entrando no país para fazer nada de errado.

Peguei um atendente rápido e em três perguntas eu estava liberada e bem-vinda, de fato, aos Estados Unidos. O hino do país começou a tocar na minha cabeça enquanto as lágrimas escorriam. Mentira, mas que deu um alívio, deu.

Mais quatro horinhas de viagem até San Francisco e pronto! A aventura poderia, enfim, começar. Logo de cara, já fiquei apaixonada pelo metrô que sai de dentro do aeroporto e te leva para o centro da cidade em questão de minutos.

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Aeroporto de San Francisco. 

Quando desemboquei no centro da Market Street, respirei fundo, me belisquei pra ter certeza de que aquilo estava mesmo acontecendo e quando percebi que sim, era verdade, agradeci de novo por estar vivendo tudo isso.

Ufa.

Já contei essa história pra diversas pessoas diferentes, e até já contei em inglês pra pessoas daqui, mas sempre me parece uma jornada e tanto quando eu olho pra trás.

E daqui pra frente, uma promessa: vou abrir um espacinho nos passeios pra voltar aqui uma vez por semana para contar um pouquinho de tudo o que já vivi e o que ainda espero viver pelos próximos meses. Até porque, o hábito de “blogar” é uma das coisas que eu espero recuperar aqui.

Pra quem quiser acompanhar mais da viagem, tô mostrando em trocentos canais: Twitter | FacebookInstagramSnapchat

Se tiverem perguntas específicas, mandem nos comentários ou escrevam para leca@lecamarriot.com. Tem tanta coisa pra falar daqui, que eu vou me sentir muito útil se puder tirar alguma dúvida específica. :)

Até a próxima!

Para ver mais posts sobre a aventura em San Francisco, clique aqui.

Para me ajudar a escolher o próximo tema sobre Francisco, vote aqui.

6 comments Write a comment

  1. Que demais Leca! Realmente oportunidade assim não se pode deixar passar, eu ainda quero fazer um intercâmbio tardio haha.
    Por favor conte mais do seu curso nos próximos posts :D
    Beijo!

  2. (ai que desepero não ter url pra preencher)

    O post saiu no meu aniversário e foi um presente? Pois foi sim!

    Menina, acho que te acompanho desde algum fórum longinquo de Harry Potter e fico mesmo muito feliz por cada conquista sua e do Mauri (que enfim tem voz e se movimenta graças ao snapchat).

    Foi um post muito bom pra juntar esses pontos todos que estavam espelhados pelas redes (#stalker) e pra gente tatuar isso que a sua chefe disse, porque serve pra muitas áreas nessa vida.

    Feliz de verdade que você voltou. Gosto muito das coisas que você escreve! <3
    Bem vinda de volta! Em breve tô aqui de novo também. :)

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