Divertida Mente: a vitória do lúdico e da simplicidade

Neste final de semana vi Divertida Mente (ou Inside Out, como preferir), depois de muita expectativa após ter visto e me apaixonado pelo trailer:

(Coloquei o dublado porque essa versão é a mais legal para mostrar todo o contexto do filme e não só um pedaço)

Só por ele já dá pra perceber que é um filme sobre o que a Pixar sabe fazer de melhor: ilustrar as relações humanas de forma lúdica e sensível. A gente já tinha visto isso em Toy Story, Procurando Nemo e tantos outros sucessos do estúdio, mas, Divertida Mente é como se fosse o precursor, ou ainda, a obra-prima do estúdio em relação aos sentimentos. Ele é tão primordial que é como se a Pixar nos falasse “ok, agora que experimentamos bastante, estamos realmente prontos para falar sobre os sentimentos básicos de cada ser humano”.

Saí do cinema com a fé renovada. Minhas teorias não eram tão loucas assim se um filme que cria personagens para cada uma das emoções dentro de nós bate recordes de bilheteria. Tem mais gente lá fora pensando assim também e não há nada de errado nisso.

Precisamos do lúdico para nos entendermos melhor. Percebi isso com o tempo, e com a ajuda das sessões de terapia, que quase sempre tratavam os temas mais complexos e obscuros de maneira leve, por meio de metáforas simples, que sempre me faziam sair de lá pensando.

Aquele alçapão que prende os medos mais escuros da Riley? Been there, done that. Minha terapeuta foi mais além e me disse que quando enfiamos coisas demais naquele armário, fica difícil viver, pois é como se você tivesse que segurar uma porta abarrotada de coisas enquanto tenta seguir fazendo as coisas do dia-a-dia. Não é possível se concentrar, não é possível fazer nada. É preciso arrumar a casa e falar sobre aquele monte de medos e inseguranças que você joga no quarto escuro, antes que eles dominem você.

E é tão mais fácil encarar as coisas desta forma pois todo mundo se prende a uma boa história, mas nem todo mundo quer ouvir falar de terapia.

Eu poderia facilmente contar a história de um par de rosas que resolvem crescer juntas, presas por um barbante. Uma dá apoio à outra, e juntas, elas crescem mais fortes, na mesma direção, diferente de um outro jardim, onde duas rosas crescendo sozinhas e desgovernadas também estão crescendo, mas, se distanciando cada vez mais uma da outra e tomando formas completamente diferentes. Poderia ser um curta sobre um jardim? Claro. Mas poderia ser também uma metáfora sobre o casamento. Eu ouvi essa história quando estava prestes a casar e surtando sobre os milhões de significados que isso poderia ter para a minha vida e realmente me ajudou a relembrar questões básicas e fundamentais sobre o relacionamento humano.

Divertida Mente é encantador e me fez lembrar muito de Steve Jobs por aquilo em que ele era melhor: fazer as pessoas enxergarem de maneira clara as questões fundamentais da vida. Ele fez isso com a forma de ouvir música e Divertida Mente fez com a forma com que se constrói (e destrói) uma personalidade, com as memórias que esquecemos (e aquelas que insistem em voltar o tempo todo), e com o fato de que às vezes precisamos da tristeza, pois ela é parte do nosso crescimento.

São tantas coisas possíveis de se identificar, que esse talvez seja o maior triunfo do filme. Você não precisa ser adulto ou criança para gostar dele, basta ter vivido (e ter algum poder de abstração) pra tudo aquilo fazer sentido pra você.

Moral da história: vou continuar compartilhando minhas teorias (agora não mais tão malucas) e falando sobre sentimentos aqui. Vai que um dia a Pixar me nota e me contrata para uma continuação, né? :)

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