I left my heart in Castro

Dia 03 de outubro, além de ser o dia oficial de Meninas Malvadas, é também a data em que eu completo dois meses em San Francisco. E eu não poderia imaginar o quão diferente esse segundo mês na Califórnia seria.

Tudo começou com burocracias contratuais. Aparentemente, é impossível conseguir alugar uma casa por mais de um mês em San Francisco, já que a situação imobiliária está caótica. Por esse motivo, acabamos mudando não só de casa, como de bairro.

Se antes amávamos a proximidade com o Golden Gate Park e as maravilhas da casa enorme que tinha todos os clichês americanos, neste segundo mês, passamos a amar Castro, o bairro.

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Viajando no tempo com a câmera analógica.

O bairro com maior representatividade gay de San Francisco nos conquistou com suas cores, sua energia e sua excentricidade.

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Eu poderia mostrar as bandeiras, mas, francamente, olha-essa-faixa. 

Nesses trinta dias morando em Castro, posso dizer que vi/vivi de tudo. Começou antes mesmo de morar aqui, quando decidi ir no sing-a-long de A Pequena Sereia, no Castro Theatre, o principal ponto turístico da região.

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Ah, os neons de San Francisco…

O cinema/teatro realiza sessões como essa todo mês e a coisa toda é um grande evento. As crianças se vestem como os personagens, você ganha uma sacolinha cheia de apetrechos para usar durante a sessão, como bastões de neon, bolhas de sabão e coroas, que todos usam durante o filme inteiro. Antes da exibição, as crianças (e adultos) fantasiadas desfilam para a plateia e, depois que o filme começa, é só diversão. Todo mundo sabe cantar junto, o que torna a experiência única.

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Sim, os apresentadores estão vestidos de Ariel e príncipe Eric ali.

Fica localizado em Castro o GLBT History Museum. É um museu pequeno, mas muito relevante a respeito das lutas travadas na região pelos direitos humanos.

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Amo que o museu é pintado de azul-Tiffany, porque claramente, só existem pessoas de bom gosto em Castro.

Foi lá que eu aprendi um pouco mais sobre Harvey Milk, o político e ativista gay que se tornou supervisor de San Francisco e foi assassinado de maneira dramática. Depois da visita, assisti pela primeira vez ao filme Milk (com Sean Penn e James Franco), depois de entender a importância do que Harvey fez pela cidade.

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human-rights-campaign-castro-milkFui procurar a “loja de fotografia” do Harvey, que virou um centro de campanha para os direitos humanos. 

Morando aqui, ficou mais fácil perceber o quanto essa luta reflete em uma expressão de liberdade muito forte nos moradores, não só no que diz respeito aos relacionamentos, mas principalmente uma necessidade de expressão do indivíduo muito forte.

Mais de uma vez vimos pessoas fantasiadas andando pelas ruas (agora, com o Halloween chegando, acho que a tendência é só aumentar) ou pessoas andando simplesmente peladas. Apesar da nudez pública ter sido banida em 2012, não vi ninguém surtando a respeito. Aliás, esse é um direito que eles tentam recuperar, com protestos civilizados repletos de música e bom humor.

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A arte de fotografar um protesto sobre nudez sem pegar ninguém pelado na foto.

Castro é a definição do amor em San Francisco. A enorme bandeira colorida é replicada em casas, na faixa de pedestres, nas lojas, em todo canto.

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Eu tirei essa foto do topo da Twin Peaks. Fácil de achar a bandeira, certo? 

Esse amor todo se reflete no comportamento das pessoas do bairro, gentis e bem-humoradas.

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Música ao vivo e o bondinho colorindo a cidade.

Castro para ver e ouvir. 

Além do Castro Theatre e dos cafés da região que já mencionei aqui, deixo três lugares para conhecer durante a sua passagem por Castro:

Hot Cookie

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Para uma sobremesa rápida, vale a visita. Os cookies são deliciosos, mas também dá para comprar chocolates em formatos ousados para dar de presente. Há grandes chances de encontrar peladões aqui dentro, visto que a graça do lugar é vestir a cuequinha vermelha com a marca e aparecer no hall da fama, ou seja, as paredes da loja.

Informações e resenhas no Yelp.

Harvey’s

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Foto daqui.

Sim, o nome é por causa de Harvey Milk. O bar é todo decorado com fotos do supervisor da cidade em momentos históricos. É perfeito para quem gosta de bloody mary (possui várias opções no cardápio), música pop e hambúrgueres. Às terças fica lotado por causa de um stand-up no local.

Informações e resenhas no Yelp.

Café Mystique

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Perfeito para um jantar a dois. Não se iluda com o nome, o lugar tem pratos que alimentam bem. Escolha o que quiser, mas não saia sem experimentar a sangria. Ela vem à mesa com uma decoração irresistível e na medida para você se apaixonar e pedir mais uma.

Informações e resenhas no Yelp.

Na segunda tem uma nova mudança. Vamos para a terceira e última casa da cidade, desta vez, em Haight-Ashbury, o bairro hippie de San Francisco. Se a vibe paz e amor me cativar, volto pra contar pra vocês.

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