O Filme da Minha Vida – Selton Mello superando a si próprio

Selton Mello tem muitas qualidades e a minha favorita é o fato dele ser um excelente contador de histórias.

Na próxima semana, ele nos presenteará com mais uma, dirigida com aquela delicadeza ímpar que já lhe é característica: O Filme da Minha Vida.

Baseado no livro Um Pai de Cinema, do autor chileno Antonio Skármeta, que inclusive, foi quem fez o convite para que Selton adaptasse a obra no Brasil, depois de conhecer o trabalho dele em O Palhaço.

Falando em O Palhaço, é difícil não comparar as duas direções de Selton, já que a própria produção diz que ambos os filmes poderiam ser encontrados “na mesma prateleira”. Mas, tendo visto ambos, posso afirmar com certeza: O Filme da Minha Vida está degraus acima na qualidade de direção de Selton Mello. É como se a prática estivesse fazendo dele um diretor mais confiante, mais refinado e assertivo em cada escolha. E são muitos os acertos desse filme.

ELENCO

Escolhidos a dedo, eles são grande parte do êxito da produção. O protagonista, Johnny Massaro, tem um quê de Louis Garrel em cena que o coloca no páreo para galã dessa geração. E o ar francês não é à toa.

Johnny interpreta Tony Terranova, filho de francês com uma brasileira. O francês é interpretado por Vincent Cassel (você vai lembrar dele em Cisne Negro e se surpreender com o seu português – a verdade é que o gringo se apaixonou tanto pelo Brasil que mudou para cá há alguns anos e começou a atuar em filmes brasileiros).

Ele dá vida a um pai tão fascinante, que faz você sofrer junto com o protagonista quando ele some, o que acaba sendo o estopim para a história: a busca de respostas do filho para entender um desaparecimento tão repentino.

Bruna Linzmeyer e seu olhar hipnótico equilibram o time feminino. Sua personagem, Luna, meio maluquinha e meio sonhadora, merecia mais tempo em tela, mas mesmo com poucas falas, o impacto é grande. Que futuro tem essa menina.

Rolando Boldrim integra o time de lendários que Selton traz de volta ao cinema, fazendo um maquinista tão sábio e consciente da sua profissão que parece saído de um sonho de criança.

O próprio Selton atua em um papel menor, mas de grande importância para a história. Quem lembra do personagem dele em O Palhaço vai gostar de ver como ele se transforma para interpretar Paco, um cara meio rude mas que orienta o protagonista com um daqueles ensinamentos que só poderiam sair da boca de Selton Mello no cinema.

FOTOGRAFIA / PRODUÇÃO

Além do elenco, a fotografia de Walter de Carvalho (Central do Brasil, Carandiru, entre outros) é de fazer suspirar durante o filme todo. As belíssimas locações do sul do país são apresentadas com delicadeza e muito cuidado com a forma e um grande trunfo é a utilização da luz natural – o sol traz um efeito magnífico às cenas.

O cuidado com a produção foi tamanho que o próprio autor elogiou o trabalho, dizendo que Selton e sua equipe haviam encontrado lugares que ele próprio só havia imaginado. Coisa bonita de ver na tela grande.

Os diálogos que parecem poema, os olhares que emocionam e o alívio cômico que são marcas de Selton Mello (sério, depois volta aqui e me diz se o menino que é louco pra conhecer a zona não é maravilhoso), está tudo lá para ser degustado com calma, apreciando cada minuto dentro do cinema.

TRILHA SONORA

Por fim, a trilha sonora é uma joia cuidadosamente lapidada (e você pode ouvi-la no Spotify). De clássicos franceses a Roberto Carlos passando por Nina Simone (!!), é lindo ver como Selton Mello brinca com a música e faz dela um elemento fundamental em suas obras, deixando muitas vezes que elas falem pelos personagens em cena.

Em uma dessas cenas, é a música que ajuda a compor o realismo mágico de uma maneira tão impactante que te faz esquecer da realidade lá fora por um instante. Afinal, não é essa a magia do cinema?

O Filme da Minha Vida estreia em 03 agosto. Confira o trailer:

1 comment Write a comment

  1. AEEEEEE OLHA QUEM TÁ AQUI (não é o Selton Melo!)
    É o tipo de filme que eu passaria batido (desculpa, Selton), mas você sempre dá indicações certeiras, então vamo que vamo.

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