Sessão de Terapia – a da ficção e a da vida real

Há algumas semanas minha chefe me indicou uma série nacional de que havia gostado muito. Eu mesma já tinha visto algumas pessoas aleatórias elogiando a produção, então resolvi arriscar. Peguei alguns episódios para ver no final de semana, depois ajeitei o relógio para assistir todos os dias da semana na GNT e quando dei por mim, estava completamente absorta e viciada em Sessão de Terapia.

Dirigida por ninguém menos do que Selton Mello, a série é uma adaptação da israelense BeTipul que depois foi produzida pela HBO com o nome de In Treatment. O formato agradou e foi parar não só aqui, como em diversos outros países.

sessao terapia Sessão de Terapia   a da ficção e a da vida realClica que aumenta.

A grande sacada é que a série mostra tudo o que acontece dentro (e às vezes fora) de um consultório de psicanálise. A cada dia da semana vemos um diferente paciente (vide diagrama acima), todos atendidos por Theo, o terapeuta interpretado brilhantemente por Zécarlos Machado.

terapeuta theo Sessão de Terapia   a da ficção e a da vida real

Como resistir a uma espiadinha no que acontece dentro de um consultório de terapiaObservar a loucura alheia parece anular um pouquinho da nossa. Talvez por isso, e também pela brilhante trilha, direção e diálogos da produção nacional que a série esteja sendo um sucesso.

E onde muitos tiveram preconceito, eu tive a curiosidade. A série me tirou a visão esterotipada do divã e do terapeuta que só rabisca na prancheta e me trouxe à realidade, onde ali, à sua frente está uma pessoa disposta a ouvir e a ajudar a raciocinar, quando isso já parece quase impossível.

A curiosidade foi tamanha que eu marquei a minha primeira sessão. Ir a uma terapeuta sem nenhum tipo de indicação foi meio que um tiro no escuro, mas de alguma maneira, eu acertei. Ela (e não ele, como na ficção) tem sido atenciosa, simpática e por mais que se abrir logo de cara seja bem complicado, já sinto que estamos fazendo algum progresso.

Então, deixei de ser espectadora e me tornei paciente uma vez por semana. Embora não tenho encarado como um tratamento, mas sim como uma experiência. Do mesmo jeito que alguém resolve aprender alemão, eu resolvi frequentar a terapia.

Até então tem sido bem proveitoso e principalmente bem diferente da ficção, onde todas as falas são ensaiadas e culminam numa brilhante conclusão que fecha o episódio com chave de ouro. Na vida real a gente gagueja, fala frases sem sentido, esquece o que queria dizer e nem sempre chega à conclusão alguma. Mas com o tempo as peças do quebra-cabeça vão aparecendo e as coisas vão finalmente começando a fazer algum sentido.

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