Show do Bob Dylan no Credicard Hall em São Paulo – eu fui!

Minha relação com Bob Dylan nasceu mais ou menos ao mesmo tempo em que conheci o Mauri. Então, era de se imaginar que assim que soubemos que nosso ídolo em comum, Bob Dylan, viria ao Brasil, ficamos ambos eufóricos e era mais do que certo que iríamos vê-lo juntos.

A pré-venda abriu, os ingressos eram uma fortuna, mas fazer o quê? Estamos falando do mito, a lenda viva que ainda se apresenta ao vivo e a cores nos palcos, então, como precificar isso? (A T4F sabe bem) Por fim, desembolsamos a grana e garantimos o ingresso.

Ontem à noite, no Credicard Hall, me senti até um pouco estranha com toda aquela falta de movimentação e corre-corre. As filas que haviam era apenas para organizar e separar os setores. No meu ingresso, uma letra e um número (D 224) indicava que não precisava correr, meu lugar já estaria reservado lá.

Assim que as luzes se apagaram e Bob Dylan em carne, osso, voz rouca e chapéu entrou, deu para sentir o Mauri tremendo da cabeça aos pés. Dylan não disse boa noite e isso nem fez falta. Não estávamos ali para vê-lo sendo simpático, mas sim, para vê-lo fazer música. Dylan cria e re-inventa suas músicas ao vivo, tornando-as muitas vezes irreconhecíveis, embora maravilhosas de se assistir.

Fotos não eram permitidas, mas com o iPhone tudo é possível.

Li várias críticas sobre os outros shows que ele já vinha fazendo no Brasil, e a maioria falava a respeito da falta de clássicos. Sou uma fã dylanesca dos clássicos e mesmo assim, saí mais do que satisfeita “apenas” com Don’t Think Twice, It’s All Right”, “Tangled Up In Blue”, “A Hard Rain’s A-Gonna Fall”, “Like A Rolling Stone” e bis estonteante com “Blowin’ In The Wind”.

As outras 12 músicas foram um deleite. Dylan estava visivelmente feliz, cheio de energia para um senhor da idade dele (70 anos, não vamos esquecer) e o que é mais engraçado de se observar: puto fulo da vida com a banda, que apesar de excelente, não acompanhava as guinadas do furacão, sempre imprevisível.

Dylan pode não ter a mesma aparência, nem a mesma voz. Mas quando ele troca a mão do microfone para a mão da gaita e começa seu solo, o tempo congela e só existe ele e todos aqueles que puderam ser tocados pelo momento (no caso de ontem, as 7.000 pessoas que lotaram o Credicard Hall).

É incrível pensar que Bob Dylan poderia estar curtindo sua aposentadoria e colhendo os royalties da fama que construiu com todos esses anos de carreira, mas em vez disso, ele faz uma média de 100 shows por ano, cada um diferente do outro. E dentre todos esses, este de São Paulo, ao menos para um casal na fila D, foi o mais especial de todos.

6 comments Write a comment

  1. Acabei de chegar do show, e vim ver aqui na net analisar as reações, e ai vai minha opinião:

    Gosto muito de Dylan, óbvio, fui para ouvir as músicas, mas honestamente, um “boa noite Brazil” ou “Thank you”, mostraria gratidão pela presença de grande público, num país de tantas dificuldades, e que provavelmente ele não sabe nem em que continente fica.

    A plateia saiu tão calada quanto entrou, claro, todos vibravam ao fim das músicas
    (uma banda muito boa), mas não se podia acompanha-lo em nenhuma. Poucos clássicos, e quando se tocava um, não se era possível entender, pois o ritmo estava completamente diferente agregado à voz de Dylan, que se parecia mais com um grunhido rouco indecifrável.

    Blowing in the wind (a musica que foi cantada no tradicional bis) foi sem exageros, “falada”, estava quase irreconhecível. Dylan não conseguiu cantar um dos seus maiores sucessos e nem a plateia.

    Ao contrário da sua percepção, não o vi cheio de energia, o vi saindo e entrando do palco (eu estava muito próxima ao palco), tão rapidamente, que não demonstrava nenhum tesão pelo calor do plublico, não demonstrava nem esboço de reação com a vibração da plateia. Indiferença.

    Ele é um ícone, mas sejamos críticos, o show não foi bom, muitos saíram decepcionados e eu achei que definitivamente que não valeu a pena.

    • Oi Paula!

      Agradeço seus comentários! Mas é engraçado isso, pois realmente, cada fã pode ter uma percepção diferente do mesmo show.

      Dylan nunca foi muito de cantar, ele sempre foi de “recitar” suas canções. Concordo contigo que muitas estavam irreconhecíveis, especialmente em função da voz (maldito cigarro que ele não larga até hoje!), mas o cantarolar era algo que eu já não esperava mesmo.

      Quanto à relação com a platéia, é o jeito dele… Ele não canta para o público, até já foi contra palmas uma vez! É complicado, mas é o jeito dele.

      Uma pena que tenha saído desapontada! Para mim foi um momento único próxima a um ícone de várias gerações.

      Um abraço!

  2. Cheguei do show e ainda envolvida por aquele som maravilhoso de gaita vim procurar algum comentário sobre a apresentação de Dylan… Achei seu texto e penso que ele traduz o que senti…e provavelmente muitas das pessoas que lá estavam também sentiram o mesmo, exceto algumas e é uma pena… pois como você escreveu: “Dylan pode não ter a mesma aparência, nem a mesma voz. Mas quando ele troca a mão do microfone para a mão da gaita e começa seu solo, o tempo congela e só existe ele e todos aqueles que puderam ser tocados pelo momento”. Um abraço

  3. A apresentação de certa forma superou minhas expectativas, especialmente após os comentários negativos sobre os shows nas outras cidades. Sobre a “ausência” de simpatia, concordo que é um traço da própria personalidade do Dylan.

    O setlist na minha opinião foi até agora o melhor. Todas as minhas músicas favoritas estiveram ali, independente do arranjo diferenciado ou da voz fantasmagoricamente rouca. No fim das contas valeu a pena pelo que suas músicas realmente significam para mim.

  4. Sou uma adolescente de 15 anos e conheci Dylan aos meus 8 anos ,uma criança que não tinha muita percepção musical se apaixonou pela incrível gaita e rouca voz de Robert Allen Zimmerman ! Desde então não parei mais de ouvi-lo e sentir sua genialidade , esperava encontrá-lo e poder vê-lo pelo menos cantar uma de suas obras primas ,esse dia chegou e foi dia 19/04 em BH . Não me contia de felicidade e empolgação , fiquei na fila durante horas pra poder assistir o espetáculo na primeira fila , e foi o que aconteceu ! Na hora que ele entrou no palco me arrepiei da cabeça aos pés e não me contive de emoção, um dos melhores momentos da minha existência. Sempre soube que Dylan não se comunicava com os fãs e mudava a melodia e a forma de cantar suas música ,e isso pra mim é o máximo , sua personalidade forte que o deixa fazer algo diferenciado e simplesmente incrível . Minha sensação era a de estar pisando em nuvens quando Dylan pegava sua gaita … Nunca mais vou esquecer tal imagem de um senhor de quase 71 anos , de terno e com um chapéu único demonstrando seu talento da forma mais bela possível !

  5. Tem gente que vai e reclama
    Eu daria tudo pra só poder reverenciar ele.
    Se eu tivesse ido, se eu pudesse, não importaria oq ele iria cantar, como cantaria ou se cantaria…
    Só qria ver o Dylan ali na minha frete em carne e osso.

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