Teorias Malucas #001

Eu tenho várias teorias malucas. A minha favorita é sobre a forma como o universo fala com todos de maneira individual.

Imagine que você é um ser humano que adora lhamas. São seus animais favoritos, e por causa delas, você planeja há anos uma viagem para o Peru, mas nunca a realiza, porque não quer ir sozinho, ou porque seu trabalho te impede de tirar férias, ou porque as passagens estão caras… enfim, cada uma hora desculpa diferente.

Pois bem, a vida segue, você abre seu computador para mais um dia de trabalho, vai dar uma checadinha rápida no Twitter antes de começar e dá de cara com o quê?

Sim, uma promoção imperdível de passagens para o Peru.

Você dá aquela favoritada, se compromete a ver com calma no horário do almoço e abre o Outlook para ver o que dia lhe reserva.

Pra sua sorte, o universo é bem persistente. 

Antes do final da manhã, um assunto chama a atenção de todos no escritório. Você, trabalhando concentrado de fones de ouvido, demora a perceber, até que o colega do lado te cutuca para que você dê uma olhada numa transmissão ao vivo da coisa mais louca que ele já viu…

 

Sim, uma perseguição à duas lhamas no meio de uma rodovia.

Para todas as outras pessoas daquele escritório, é só mais uma maluquice trazida diretamente da internet e que certamente já está virando meme pelas mãos de algum desocupado do outro lado do mundo.

Mas para você, que sempre foi apaixonada por elas, que vem planejando essa viagem na cabeça há meses, que viu aquela passagem pela manhã acenando para você, para você, essa perseguição das lhamas é finalmente a voz do universo se fazendo presente em sua vida e o significado não poderia ser outro: arrume as malas e vá logo para o Peru, você pode estar morto amanhã.

É preciso essa combinação de histórico mais fato recente para conseguir decodificar a mensagem do universo. É por isso que a mensagem é sempre individual, diferente do horóscopo, ela não se aplica a um grupo de pessoas.

E como eu disse, o universo é bem persistente. Às vezes, as mensagens podem ser transmitidas por dias, meses, anos, até que finalmente, a ficha cai. Algumas pessoas são mais resistentes a elas, já outras, entenderam tão bem como o padrão funciona que são desesperadas, loucas para que aquele tropeção na calçada esteja diretamente conectado àquele bonitão que aparentemente lhe deu uma piscadela no minuto anterior. Essas, já estão abusando do meio de comunicação do universo e buscando significados inexistentes onde é simplesmente a vida seguindo o seu curso natural.

Eu? Bem, eu me encontro na intersecção entre os dois grupos. Não sou completamente imune às mensagens do universo (embora algumas se esfreguem em purpurina dourada à minha frente e eu demore um pouco mais do que o necessário para reconhecê-las), mas também já descobri como o método funciona, então, a cada coincidência, brota dentro de mim uma esperança de que aquilo não seja simplesmente o cotidiano, mas sim, uma parte de algo maior, alguma festa de aniversário surpresa que o Universo esteja preparando há tempos para mim.

Assim que a suspeita demora a se concretizar, a esperança silenciosa se esvai e volta para o seu compartimento. Ela fica ali guardadinha até a próxima virada de esquina, pois é animador saber que logo ali pode estar o inesperado, louco para nos surpreender e entregar respostas que muitas vezes não somos capazes de encontrar sozinhos.

[esse post foi um oferecimento das duas mensagens enviadas pelo universo hoje, entregues pela @maribergo e pela @lorimeyers, ambas com um objetivo claro: preciso voltar a escrever aqui]

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